Publicidade a sites ilegais de jogo: associação avança com maior queixa-crime de sempre a 17 influencers

Bernardina Brito, Fanny Rodrigues, Rui Pedro Figueiredo, Isabela Cardinali, Jéssica Antunes ou Ruben Silvestre estão na lista.

Francisco Laranjeira

Bernardina Brito, Fanny Rodrigues, Rui Pedro Figueiredo, Isabela Cardinali, Jéssica Antunes ou Ruben Silvestre: este são algumas das 17 figuras públicas e influencers alvos da maior denúncia formal da Associação Portuguesa de Apostas e Jogos Online (APAJO), devido a publicidade feita a operadores de jogo não licenciados, avançou esta quinta-feira a rádio ‘Renascença’.

“O número de influenciadores a normalizar este comportamento de jogar em sites ilegais é cada vez maior e, portanto, é uma pandemia”, alertou Ricardo Domingues, presidente da APAJO, acusando estes influencers “de enviar consumidores para um mercado onde não há regras”. “Muitos destes influenciadores chegam a apresentar o jogo como uma forma de gerar rendimentos, o que é absolutamente absurdo. O jogo é uma forma de entretenimento.” Por outro lado, o responsável salientou que estes sites de apostas estão acessíveis a menores, que “facilmente se deixam iludir por um estilo de vida destes influencers que, em muitos casos, nem sequer corresponde à realidade”.

Outra questão levantada está nos métodos de pagamento de apostas – Multibanco ou MBWay -, o que motivou um pedido ao Banco de Portugal para que bloqueie as transferências de dinheiro para estas plataformas. “Aquilo que pedimos ao Banco de Portugal não é que determine se as plataformas são ilegais ou legais. Isso, o regulador português do setor já fez. Aquilo que pedimos ao Banco de Portugal é que garanta que as entidades que supervisiona não prestem serviços a entidades que não estão licenciadas para operar em Portugal”, salientou.

No entanto, o Banco de Portugal já veio esclarecer que não lhe compete emitir medidas relativamente a estes sites. “As competências do Banco de Portugal em sede de supervisão incidem sobre as instituições de crédito, sociedades financeiras, instituições de pagamento e outras entidades que lhe estejam legalmente sujeitas”, referiu.

De acordo com um estudo da APAJO, 40% dos apostadores estão em plataformas ilegais, sendo que o Estado é lesado em pelo menos 270 milhões de euros.

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