O PSI registou em 2025 uma das melhores performances da sua história recente, ao valorizar 29,6%, num ano marcado pela forte recuperação da capitalização bolsista e por sinais de sobreaquecimento do mercado.
De acordo com a análise anual da Maxyield, o índice principal da bolsa portuguesa passou a integrar 16 sociedades cotadas, após a entrada da Teixeira Duarte, e encerrou o ano com uma capitalização bolsista de 81,6 mil milhões de euros, mais 23,6% face a 2024.
Este desempenho só encontra paralelo em 2006, quando o PSI registou um crescimento anual de 31,9%. Como resultado, a capitalização bolsista do índice subiu de 23,5% do PIB nominal em 2024 para 27,5% do PIB estimado para 2025, invertendo a tendência de declínio observada nos últimos anos. Recorde-se que, em 2023, este rácio tinha atingido os 30% do PIB.
Segundo a Maxyield, esta melhoria deve-se sobretudo ao contributo do BCP, do universo EDP, da Jerónimo Martins, da Mota-Engil, da Sonae SGPS e da REN.
Free float estabiliza e aumentam programas de recompra de ações
O free float médio do PSI, ponderado pelo peso de cada cotada no índice, fixou-se em 44,6%, praticamente em linha com os 44,8% registados em 2024. Em 2025, destacaram-se programas de recompra de ações (buyback) por parte da Galp, CTT, EDP, BCP e Ibersol.
Registou-se ainda um aumento do free float nos CTT, NOS e EDP Renováveis, enquanto a Altri e a Ibersol apresentaram reduções. Galp, CTT, EDP e BCP apresentam atualmente um free float superior a 55%, enquanto empresas como Jerónimo Martins, REN, NOS, Navigator, Teixeira Duarte e Sonae SGPS se situam num intervalo entre 30% e 55%.
Em termos de peso no índice, aumentou a relevância do universo EDP, da Sonae SGPS, dos CTT e da REN, em detrimento da Galp, BCP, Navigator e Jerónimo Martins. O grupo constituído por BCP, universo EDP, Galp e Jerónimo Martins representa, no seu conjunto, 61% do PSI e cerca de 80% da capitalização bolsista.
Energia lidera peso setorial no PSI
O setor energético, composto pela EDP, EDP Renováveis e REN, assume um peso de 34,5% no PSI e representa 38% da capitalização bolsista. Já o setor industrial — onde se incluem Altri, Navigator, Semapa, Mota-Engil e Corticeira Amorim — corresponde a 13% do índice e 9% da capitalização. As papeleiras representam 8,4% do PSI, enquanto o retalho, liderado por Jerónimo Martins e Sonae SGPS, concentra 19% do índice e 20% da capitalização.
O PSI Geral, que agrega o PSI e 15 sociedades do segundo mercado, valorizou 29,5% em 2025, mas apresenta uma capitalização significativamente inferior, de 2,9 mil milhões de euros, sendo que o PSI representa 96,6% desse total.
Potencial de valorização abranda em 2026
A análise do potencial de valorização, baseada nos price targets médios a 12 meses divulgados pela plataforma Investing.com, revela uma desaceleração significativa. Enquanto no início de 2025 o potencial médio ponderado do PSI era de 32%, para 2026 este valor desce para 11,5%.
Ainda assim, a Maxyield estima que a capitalização bolsista possa crescer cerca de 13% em 2026, aproximando-se novamente dos 30% do PIB nominal, com base nos parâmetros do Orçamento do Estado.
A análise do PER (price earnings ratio) revela, contudo, que várias ações apresentam níveis elevados face à média histórica. Em 2025, empresas como NOS, Semapa, Galp, Mota-Engil e Sonae SGPS mantiveram PER abaixo de 12, embora em subida. Já a EDP, EDP Renováveis e Jerónimo Martins continuam a apresentar PER superiores a 20.
PSI entre os índices mais “quentes”
O forte crescimento do PSI, aliado à quebra dos resultados empresariais no período entre janeiro e setembro de 2025, fez disparar o PER do índice de 11,8 em 2024 para 21,2 em 2025. Este nível coloca o PSI acima dos principais índices europeus e do índice chinês, ficando apenas abaixo dos índices norte-americanos.
Segundo a Maxyield, as ações do universo PSI apresentam preços elevados e podem ser consideradas tecnicamente caras, o que explica o aumento do interesse em estratégias de short selling. No final de 2025, posições superiores a 0,5% do capital envolviam a Mota-Engil (3,04%), NOS (1,02%), BCP (1,1%) e Altri (0,6%), maioritariamente constituídas no quarto trimestre.
A dimensão destas posições de vendas a descoberto não é habitual no PSI, reforçando a perceção de um mercado em fase de forte aquecimento.













