No dia 6 de maio de 1974, poucos dias depois da Revolução dos Cravos no 25 de Abril que depôs o regime ditatorial que governou Portugal durante quase meio século, foi fundado o Partido Popular Democrático (PPD) por Francisco Sá Carneiro, Francisco Pinto Balsemão e Joaquim Magalhães Mota.
A designação não se manteria por muito tempo. Cerca de dois anos e meio depois, foi iniciado o processo de mudança do nome do partido. O Conselho Nacional aceitou a sugestão de Rúben A. Leitão para Partido Social-Democrata (PPD/PSD).
O PSD celebra esta sexta-feira o seu 48º aniversário. É indiscutivelmente, a par do Partido Socialista (PS), um dos partidos mais dominantes e importantes da era democrática em Portugal. No entanto, desde que Pedro Passos Coelho deixou a liderança do partido em fevereiro de 2018 o PSD tem sido marcado pela falta de estabilidade. Ao mesmo tempo, desde o final de 2015 o panorama político nacional tem sido dominado pelo PS, que governa desde então.
O momento social-democrata é marcado pela indefinição. Uma indefinição agravada com a saída de Rui Rio. O presidente do PSD anunciou que iria deixar a liderança do partido após perder as legislativas de 30 de janeiro para o PS, que assegurou uma maioria absoluta.
Em declarações ao MultiNews, o politólogo José Adelino Maltez considerou que o PSD vive uma “incógnita”.
“O PSD quando foi para o poder de forma estável, à exceção do tempo do cavaquismo, precisou sempre da outra perna da direita para o acompanhar, o CDS. Só que agora a mesa da Direita portuguesa em vez de duas pernas tem quatro. Portanto, o PSD tem aqui duas incógnitas: uma chama-se Chega, a outra chama-se Iniciativa Liberal. O velho parceiro deixou de ter representação parlamentar”, referiu Maltez, antevendo o novo desafio para os sociais-democratas.
“O PSD vai enfrentar uma coisa que nunca lhe tinha acontecido, e corre o risco de passar de partido da alternância a um partido inferior, entre os 20% ou menos. Deixar de ser um grande partido e passar a ser um partido médio. É um desafio novo, na sua história o PSD nunca enfrentou isto. Saber como vai ser o líder das quatro pernas da Direita e saber se tem dimensão de grande partido”, observou o politólogo.
Mais do que a emergência de outros partidos no espectro da Direita, para José Adelino Maltez há um problema que o partido laranja tem de resolver no futuro próximo: a perda de eleitores nas grandes áreas urbanas.
“O problema do PSD é que perdeu imensos votos nas grandes áreas urbanas. Portanto, é pior do que discutir o Chega e a Iniciativa Liberal. O problema do PSD é recuperar eleitorado nas grandes cidades, na juventude. Sousa Franco chegou a dizer que havia uma divergência entre os rurais e os urbanos. Utilizando esta linguagem de Sousa Franco, eu diria que o problema é onde estão os urbanos do PSD”, assinalou o especialista.
Maltez afirma que o PSD “tem de refazer-se como partido, equivalente ao PS, nas grandes áreas urbanas”. “Se não resolver este problema torna-se num partido de autarcas e de centros rurais, e não um partido citadino. Tem de ser as duas coisas para chegar ao poder”, frisou.
“Feudalismo puro” nas diretas do PSD
Com a saída de Rio da liderança social-democrata, a sucessão vai ser decidida nas eleições diretas que estão marcadas para o dia 28 deste mês. Até ao momento, só dois nomes oficializaram a sua candidatura à liderança do PSD: Luís Montenegro e Jorge Moreira da Silva.
Ambos estão ligados ao período em que Passos Coelho foi presidente do PSD e também primeiro-ministro de Portugal. Luís Montenegro foi líder parlamentar do partido e Jorge Moreira da Silva foi ministro do Ambiente, Ordenamento do Território e Energia sob a batuta passista.
José Adelino Maltez não acha que um tenha mais vantagem do que o outro nesta disputa, que define como um “combate feudal”.
“É um combate feudal no interior dos barões e dos votantes. É difícil fazer uma análise política porque isto é feudalismo puro”, sublinhou.
Aproveitando o passado conjunto no PSD de Passos Coelho, o politólogo deixa uma certeza. “Se o Passos Coelho quisesse concorrer a presidente do PSD ganhava as eleições. O problema é que não ganhava o país, por isso é que ele não concorre”.













