PS admite viabilizar Orçamento de 2027 e votar contra moções para derrubar o Governo

A estratégia socialista passa por preservar uma imagem de estabilidade, ganhar tempo para reorganizar o partido e deixar que o desgaste político da AD se acumule.

Executive Digest

O PS prepara o próximo ano político com a intenção de evitar uma nova crise, admitindo viabilizar o Orçamento do Estado para 2027 e votar contra eventuais moções destinadas a derrubar o Governo de Luís Montenegro.

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Apesar das sucessivas polémicas que têm atingido o Executivo, José Luís Carneiro não pretende assumir a responsabilidade por uma queda do Governo. A estratégia socialista passa por preservar uma imagem de estabilidade, ganhar tempo para reorganizar o partido e deixar que o desgaste político da AD se acumule.

De acordo com o Observador, a abstenção no próximo Orçamento do Estado é, nesta fase, o cenário preferido pela direção socialista, embora o apoio esteja dependente de condições políticas, sobretudo em torno de uma eventual revisão constitucional.

Carneiro considera que o PS ainda precisa de tempo

José Luís Carneiro acredita que o partido necessita de pelo menos mais um ano para consolidar a sua proposta política e recuperar eleitores que se afastaram do PS.

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O secretário-geral socialista quer evitar repetir o desfecho que marcou a liderança de Pedro Nuno Santos. Depois de o PS rejeitar uma moção de confiança apresentada por Luís Montenegro, o país foi para eleições legislativas em 2025, nas quais os socialistas obtiveram o terceiro pior resultado da sua história e ficaram atrás do Chega em número de deputados.

Essa experiência continua presente na direção do partido e ajuda a explicar a prudência perante qualquer iniciativa parlamentar que possa provocar a queda do atual Executivo.

O PS não deverá, por isso, apoiar uma moção de censura apresentada pela oposição. Também não pretende voltar a ser responsabilizado pela rejeição de uma eventual moção de confiança, embora elementos do Governo já tenham afastado esse cenário.

Estratégia passa por deixar o Governo desgastar-se

Segundo o Observador, os socialistas preferem que o Executivo seja penalizado pelo acumular de polémicas e crises internas, em vez de precipitar eleições antecipadas.

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José Luís Carneiro tem criticado aquilo que descreve como sucessivas crises provocadas pelo próprio Governo e recordado o desgaste que marcou a fase final da maioria absoluta de António Costa.

Apesar de o último mês ter acrescentado mais dois ministros à lista de governantes que o PS considera fragilizados, a direção socialista mantém a opção por um desgaste prolongado.

O líder do partido tem sublinhado que o PS não será um fator de instabilidade, embora tenha também avisado que não teme eleições caso o ciclo político se acelere.

Revisão constitucional condiciona Orçamento

A primeira grande prova desta estratégia será o Orçamento do Estado para 2027, que começou já a ser discutido entre José Luís Carneiro e Luís Montenegro.

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Uma das principais condições apresentadas pelo PS é a garantia de que a AD não avançará com uma revisão constitucional em parceria com o Chega.

Carneiro exige uma declaração pública do primeiro-ministro que confirme que o PS será o parceiro privilegiado do PSD nesse processo e que o partido de André Ventura ficará afastado.

Luís Montenegro afirmou no debate do Estado da Nação que não estava a negociar uma revisão constitucional com o Chega. Ainda assim, os socialistas consideram essa declaração insuficiente, sobretudo depois de o Governo e o Chega terem acordado adiar o debate para o próximo ano.

Na direção do PS existe também a expectativa de que o Presidente da República possa pressionar o primeiro-ministro a manter a revisão constitucional dentro do espaço político dos partidos fundadores da democracia.

PS espera intervenção de António José Seguro

Os socialistas acreditam que António José Seguro poderá ter um papel relevante na tentativa de afastar Luís Montenegro de um entendimento com André Ventura.

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Durante a campanha presidencial, Seguro apresentou-se como uma figura da moderação, do centro-esquerda e da defesa da Constituição.

Na segunda volta, disputada contra o líder do Chega, rejeitou alterações aos poderes presidenciais e afirmou não existir necessidade de uma revisão constitucional mais ampla.

O PS espera agora que essa posição seja acompanhada por uma intervenção firme do Presidente da República durante as negociações políticas.

Chumbo do Orçamento já não significa eleições imediatas

Ao contrário do que sucedia durante a presidência de Marcelo Rebelo de Sousa, António José Seguro não considera que a rejeição de um Orçamento deva conduzir automaticamente à dissolução da Assembleia da República.

O Presidente da República tem defendido que, em caso de chumbo, o Governo poderá apresentar uma segunda proposta e retomar as negociações com os partidos da oposição.

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José Luís Carneiro tem recuperado essa posição para reduzir a pressão em torno da votação do Orçamento.

O líder socialista recorda também que, caso uma segunda proposta seja rejeitada, o país poderá funcionar em regime de duodécimos.

Ao retirar dramatismo a esse cenário, o PS procura manter margem para votar contra o documento se o Governo não cumprir as condições apresentadas.

Sondagens alimentam ambição socialista

Apesar da prudência, a direção socialista acompanha com confiança os resultados das sondagens mais recentes.

José Luís Carneiro afirma que o PS tem aparecido à frente nos barómetros dos últimos meses e que o seu nome surge regularmente como o preferido para primeiro-ministro.

O líder socialista começa também a preparar o argumento para um eventual Governo minoritário do PS. Na sua leitura, se a AD ficar em terceiro lugar, terá de apoiar a formação de um Executivo socialista para evitar o próprio desaparecimento político.

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Ainda assim, Carneiro não pretende antecipar esse cenário através de uma crise provocada pelo PS. A prioridade continua a ser reorganizar o partido, recuperar a confiança dos eleitores e preparar uma alternativa política.

Relação entre PS e Governo dá sinais de melhoria

O facto de Luís Montenegro já ter reunido com José Luís Carneiro sobre o Orçamento, sem realizar um encontro semelhante com André Ventura, é interpretado pelos socialistas como um sinal positivo.

Os canais de comunicação entre o Governo e o PS terão melhorado depois do chumbo da reforma laboral, provocado por uma mudança de posição do Chega, e do entendimento posterior que permitiu aprovar a nova Prestação Social Única.

Apesar das crises entretanto registadas na Educação e na Administração Interna, existe no PS a perceção de que o ambiente negocial se tornou menos tenso.

A estratégia para o próximo ano político mantém-se, por isso, assente em quatro objetivos: viabilizar o Orçamento, proteger a Constituição, deixar o Governo desgastar-se e evitar uma nova crise política.

A rentrée socialista está marcada para 16 de agosto, num arraial popular em Olhão. Entre 25 e 28 do mesmo mês, José Luís Carneiro fará uma rota por concelhos do interior e por regiões junto à fronteira com Espanha.

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