A Presidente do Banco Português de Fomento, Maria Celeste Hagatong, sublinhou esta sexta-feira a pouca procura por fundos por parte das empresas, desafiando-as a utilizar estes para crescer e modernizar as suas operações.
Durante a sessão “Conversas na Bolsa”, uma organização da Associação Comercial do Porto que decorreu no Palácio da Bolsa do Porto, Maria Celeste Hagatong desafiou os empresários a olharem para os fundos e pensarem em novos financiamentos, como por exemplo na digitalização, sustentabilidade e modernização.
“As verbas do Plano de Recuperação e Resiliência [PRR] estão todas disponíveis, só precisamos de procura”, alerta a Presidente do Banco Português de Fomento, acrescentando que “só temos procura se tivermos investimento, e para isso é necessário planeamento”.
Maria Celeste Hagatong destacou ainda que não houve preparação do setor empresarial para estes instrumentos, “foram lançados sem preparação, nos outros países isto não acontece que estão habituados a este tipo de financiamento”.
“Só temos procura se tivermos investimento, e para isso é necessário planeamento”.
Para além disso, sublinhou que “com a estabilização do investimento privado é muito difícil ver oportunidades com estes fundos”, e garante que, relativamente a isto, o Banco Português de Fomento nada pode fazer.
Maria Celeste Hagatong destacou ainda que “a disponibilidade de fundos privados torna-se mais difícil, estamos num cenário pior que no ano passado”.
O PRR conta com verbas de 1,3 mil milhões, sendo que 250 milhões foram realizados pelo IAPMEI para aumento de capital. “O resto são um conjunto de projetos que estão a ser lançados”, destacou.
A Presidente do Banco Português de Fomento explicou ainda que ainda que em 2022 foram lançados programas como o Consolidar, programa de financiamento de PMEs e Midcaps, ou ainda a Recapitalização Estratégica, “que infelizmente teve uma procura muito baixa”, onde foram alocados cerca de 30,8 milhões de euros em seis operações.
Numa segunda leva destes fundos, em fevereiro foram lançados dois concursos públicos com uma consulta pública, onde a instituição recebeu diversas sugestões das diferentes entidades, principalmente para PMEs e Midcaps. “Tivemos uma procura muito grande”, admitiu.
No entanto, alerta, estes fundos não são para todas as empresas: “É preciso que as empresa sejam rentáveis. Estes fundos não são para recuperação de empresas, mas sim para empresas com crescimento, com boa gestão e bons resultados”, explica.
“Do nosso lado, pusemos tudo a funcionar do PRR, agora queremos desafiar as empresas a desafiar o mercado”, sublinha a responsável.












