A próxima semana será recheada de eventos macroeconómicos importantes. Começamos na segunda-feira com a reunião da OPEP+, que certamente irá provocar alguma volatilidade acrescida no mercado petrolífero. Depois teremos ainda três reuniões de Bancos Centrais. O RBA reúne-se na terça-feira, dia 6 de Setembro, sendo esperado um aumento de 50pb na taxa de juro. Na quarta-feira é a vez do Banco do Canadá entrar em ações, sendo que o mercado espera um aumento de 75pb para os 3,25%. Por último, a principal reunião será a do BCE na quinta-feira, sendo que o mercado antecipa um aumento de 50pb, mas poderá ser surpreendido como explico mais à frente.
32ª reunião da OPEP+
Na próxima segunda-feira, dia 5 de Setembro, irá realizar-se a 32ª reunião da OPEP+. Espera-se que a OPEP+ mantenha a produção inalterada, antecipando que o mercado petrolífero irá recuperar da recente queda nos preços. A Arábia Saudita, líder do grupo, lançou a opção de um corte da produção na semana passada para estabilizar o mercado de futuros do petróleo e recebeu apoio entusiástico de outros membros. Os preços do petróleo sofreram a maior série de perdas desde 2020 devido ao receio de que a economia global entre em recessão, colocando em risco os lucros inesperados e sem precedentes que os países da OPEP + estão a ter este ano. No entanto, os analistas esperam que a Organização dos Países Exportadores de Petróleo mantenha a produção estável na reunião de segunda-feira. No entanto, é importante recordar que o resultado das reuniões surpreendeu os investidores várias vezes nos últimos anos.
A OPEP+ reviu esta semana em baixa o balanço do mercado para este ano e agora vê a procura a ficar atrás da oferta em 400.000 barris por dia (bpd), contra os 900.000 bpd previstos anteriormente. O grupo espera um déficit de mercado de 300.000 bpd no seu cenário base para 2023. O mercado também está atento a um possível teto no preço nas exportações de petróleo da Rússia, com o objetivo de reduzir a receita da guerra na Ucrânia, mas mantendo o petróleo a fluir para evitar spikes nos preços. Enquanto isso, os investidores continuam preocupados com o impacto das últimas restrições do COVID-19 na China. A cidade de Chengdu ordenou na quinta-feira um confinamento da cidade que tem 21 milhões de habitantes.
Reunião do BCE
Os membros do Banco Central Europeu têm vindo a defender um grande aumento da taxa de juros na reunião de quinta-feira, dia 8 de Setembro, já que a inflação permanece desconfortavelmente alta e o público pode estar a perder a confiança no Banco Central na luta contra a inflação. O BCE elevou as taxas em 50 pontos-base para zero no mês passado e é esperado um movimento semelhante ou ainda maior, uma vez que a inflação continua altíssima e porque a Fed nos EUA continua a aumentar a taxa a passos excepcionalmente grandes. O Goldman Sachs espera um aumento da taxa de 75bp do BCE na próxima semana.
Até à bem poucos dias atrás, os mercados antecipavam um movimento de 50 pontos base, mas uma série de declarações de vários membros do BCE argumentam que um movimento de 75 pontos base também deve ser considerado. Com as taxas em zero, o BCE está a estimular a economia e permanece longe da taxa neutra, que é estimada pelos economistas em torno dos 1,5%. Os aumentos das taxas ocorrem mesmo quando o crescimento da zona do euro diminui e o risco de uma recessão se aproxima. Mas a recessão será principalmente devido ao aumento dos custos de energia, contra os quais a política monetária é impotente.
Nuno Mello
Analista XTB





