A volatilidade regressou ao mercado bolsista. O SP500 terminou o mês de setembro a cair 4,75%, o pior mês pós-pandemia. Vemos sobretudo quatro razões macroeconómicas pelas quais o último trimestre do ano, que agora se inicia, seja mais turbulento que o resto do ano: liquidez, abrandamento do crescimento, inflação e início do tapering por parte da Fed.
Non Farm Payrolls em destaque na próxima semana
Na frente de dados da próxima semana estará o relatório da folha de pagamentos não agrícolas dos EUA (sexta-feira). Nas próprias palavras de Powell, apenas um número “decente” será necessário para levar o Fed a iniciar o tapering na sua reunião de novembro. Há uma série de forças conflituosas que afetam os números em setembro. A procura de mão-de-obra permanece forte, com os novos postos de trabalho num novo máximo de 11 milhões. Além disso, o subsídio de desemprego prolongado expirou no início de setembro, o que deveria significar que as pessoas com salários mais baixos deveriam começar a regressar à força de trabalho.
Estes fatores contribuem, teoricamente, a favor de um relatório forte. Por outro lado, a variante Delta da Covid-19 permaneceu problemática em setembro e foi certamente uma das razões para os fracos números de agosto. Poderia definitivamente ter convencido os potenciais candidatos a emprego a permanecerem em casa por mais um mês. Se considerarmos tudo isto, esperamos um número claramente melhor do que em agosto e, por conseguinte, poder de fogo para uma decisão firme por parte da Fed na reunião de novembro.
Os ganhos médios hora também serão importantes, mas têm sido difíceis de interpretar ultimamente. Se muitos trabalhadores mal pagos começarem a regressar à força de trabalho nos próximos meses, os ganhos médio-hora irão ressentir-se sem que isso constitua, de facto, uma indicação real de um crescimento salarial mais lento. A parte salarial do Índice de Custos de Emprego deverá ser a medida preferida para seguir as tendências salariais até 2022.
As contínuas discussões políticas dos EUA sobre o limite máximo do teto da dívida e o pacote de infraestruturas também serão, naturalmente, importantes na semana que vem.
A Câmara dos Representantes dos EUA adiou para hoje, dia em que escrevo este artigo, a votação sobre o pacote de infraestruturas. O facto de o encerramento do governo ter sido evitado através dum orçamento provisório, aprovado pelo Congresso, é uma notícia positiva, mas de um modo geral uma questão menor em comparação com o que sobra ainda para resolver. Ainda esperamos por um acordo sobre o limite máximo do teto dívida passe, sob pena do governo ficar sem dinheiro. Mas é claramente um ninho de vespas, pelo que estaremos a acompanhar de perto a evolução dos acontecimentos.
Na Europa, não existem basicamente dados económicos realmente importantes, sendo o Sentix (na segunda-feira) um dos dados ainda assim mais relevantes.
Nuno Mello
Analista XTB














