Próxima semana à lupa: Dos mercados à economia – e outras coisas que precisa de saber

A próxima semana é bastante leve em termos de divulgação de dados macroeconómicos, estando as atenções dos investidores viradas para os desenvolvimentos políticos chineses, europeus e americanos.

Os investidores deverão continuar atentos à situação da Evergrande, depois da empresa chinesa ter falhado o pagamento dos juros sobre as suas obrigações offshore. A empresa encontra-se agora num período de carência de 30 dias durante o qual poderá reembolsar os juros vencidos sem estar em incumprimento. É esperado que o Partido Comunista Chinês (PCC) assuma o controlo da Evergrande em breve e, de acordo com asiamarkets.com, esse anúncio pode ser feito dentro de alguns dias. Assim que o incumprimento se concretizar, faria sentido que o PBoC considerasse introduzir novas medidas facilitista como cortes no rácio de reservas para bancos comerciais e afins.

Na Europa, temos as eleições alemãs, mas que acabam sempre por ser tudo menos interessantes, a menos que a coligação com o partido de esquerda possa estar em jogo, o que parece altamente improvável por agora. Olaf Scholz será muito provavelmente o novo primeiro-ministro, mas levará algum tempo até que uma coligação possa ser acordada, razão pela qual é provável que as reações do mercado sejam extremamente ténues às eleições alemãs. O único dado de relevância na Europa é o CPI na sexta-feira. Esperamos um valor de 3,2% e um valor core de 1,8%, o que é ligeiramente abaixo do consenso, mas a direção ainda é de subida para os próximos meses, sobretudo enquanto os preços da energia estiverem a ser perseguidos por decisões políticas.

Nos Estados Unidos, os democratas agendaram uma votação para terça-feira para o projeto da lei de financiamento do “stop gap”, uma vez que o teto da dívida ainda está em vigor para o governo dos EUA. Julgamos que o Tesouro dos EUA vai ficar sem dinheiro já em meados de outubro, o que deverá levar a uma solução até ao final de Outubro. Em última análise, o Congresso nunca permitirá que esta novela continue por muito tempo, uma vez que os funcionários públicos já não estão a ser pagos.

Isto deixará uma montanha de 700 mil milhões de USD de emissão líquida entre finais de Outubro e o Ano Novo, quando o Tesouro dos EUA for autorizado a aumentar novamente o limite da dívida, o que levará os rácios de emissão de volta aos níveis do primeiro trimestre de 2021, deixando um risco claro de: 1) um USD mais forte, 2) taxas de juro mais elevadas para o USD até ao final do ano. Nos EUA, teremos ainda o índice ISM Manufacturing na sexta-feira. O índice ISM Manufacturing é susceptível de convergir para 50 (ou mesmo ligeiramente abaixo) devido aos efeitos desfasados do desvanecimento dos estímulos e das taxas de juro mais elevadas ao longo dos últimos 12 meses.

Nuno Mello

Analista XTB

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