Depois do S&P 500 e o Nasdaq 100 terem atingido novos máximos históricos no início da semana, o impasse em curso entre os Estados Unidos e o Irão esmoreceu as esperanças de uma resolução iminente do conflito no Médio Oriente. Esta incerteza persistente levou os investidores a reduzir as suas posições e a realizar alguns lucros nos mercados acionistas dos EUA, na sequência dos fortes ganhos registados no início deste mês.
O impasse nas relações entre os EUA e o Irão já dura nove semanas — as duas partes não conseguiram chegar a acordo quanto à data da segunda ronda de negociações no Paquistão. O Irão recusa-se a negociar enquanto o bloqueio naval se mantiver, enquanto Donald Trump afirmou que «tem todo o tempo do mundo» e não tenciona apressar a resolução do conflito. Donald Trump ordenou à Marinha dos EUA que atirasse e destruísse qualquer embarcação que colocasse minas no Estreito de Ormuz, alegando ao mesmo tempo que os EUA controlam agora o estreito.
EUA
- As vendas a retalho nos EUA em março registaram um aumento de 1,7% em relação ao mês anterior, um valor superior ao esperado, superando a previsão de 1,4% e acelerando em relação ao ganho revisto de 0,7% do mês anterior;
- Os pedidos iniciais de subsídio de desemprego nos EUA ficaram ligeiramente acima do esperado, nos 214 000, ficando aquém da estimativa de 212 000, mas continuando a indicar um mercado de trabalho relativamente restrito;
- A atividade empresarial nos EUA ganhou impulso em abril, com a leitura preliminar do índice de gestores de compras (PMI) do setor industrial da S&P Global a subir para 54,0, contra um consenso de 52,5, enquanto o PMI dos serviços subiu de 49,8 para 51,3.
Japão
- O PMI preliminar de manufatura da S&P Global do Japão para abril subiu para 54,9, bem acima do consenso de 51,2, enquanto o PMI preliminar de serviços recuou de 53,4 para 51,2;
- A inflação subjacente do Japão situou-se em 1,8% em termos homólogos em março, em linha com as expectativas, mas abaixo da meta de 2% do Banco do Japão — pelo segundo mês consecutivo.
Reino Unido
- A inflação do Reino Unido em março correspondeu às expectativas, subindo para 3,3% a/a, face aos 3,0% do mês anterior, enquanto a inflação subjacente abrandou ligeiramente para 3,1%;
- O PMI preliminar da indústria transformadora do Reino Unido para abril subiu de 51,0 para 53,6, enquanto o PMI preliminar dos serviços subiu de 50,5 para 52,0.
Zona Euro
- A atividade empresarial da zona euro contraiu inesperadamente, com o PMI composto preliminar a cair para 48,6, contra uma previsão de 50,2.
Nova Zelândia e Austrália
- A inflação da Nova Zelândia subiu 0,9% em termos trimestrais no primeiro trimestre, excedendo a previsão consensual de 0,8% e acelerando face aos 0,6% anteriores;
- O PMI preliminar de manufatura da S&P Global da Austrália para abril voltou a território de expansão em 51,0, superando o consenso de 49,0, enquanto o PMI preliminar de serviços também surpreendeu positivamente em 50,3.
Destaques da semana que vem
- Reunião do Banco do Japão
Data: segunda-feira, 17 de abril, às 23h00 GMT
Na sua reunião de março, o Banco do Japão (BoJ) optou por manter a taxa de juro de curto prazo nos 0,75%, após o ciclo de subidas iniciado no início do ano. O Governador Ueda reforçou que a política monetária permanece dependente dos dados, sublinhando que o choque nos preços da energia e a instabilidade no Médio Oriente introduziram novos riscos de subida para a inflação core, que se mantém persistentemente acima da meta. Para a reunião da próxima semana, a expectativa consensual é de manutenção das taxas, com os investidores focados na atualização das projeções macroeconómicas e na possível redução do programa de compra de ativos (QT). O mercado de swaps reflete agora uma postura mais cautelosa, descontando uma probabilidade elevada de um novo aumento de 25 pontos-base apenas para a reunião de setembro, à medida que o banco central tenta equilibrar o controlo da inflação importada com a necessidade de não sufocar a recuperação do consumo interno.
- IPC na Austrália
Data: quarta-feira, 29 de abril, às 02h30 GMT
Em fevereiro, assistiu-se a uma ligeira diminuição das pressões inflacionistas globais. O IPC global desceu para 3,7% em termos homólogos, face aos 3,8% registados em janeiro, ficando ligeiramente abaixo das expectativas. Olhando para a publicação da próxima quarta-feira, este será o primeiro relatório de inflação a captar plenamente o choque energético resultante do conflito no
Médio Oriente. Estes dados chegam poucos dias antes da próxima reunião do conselho do RBA, a 5 de maio, onde se antecipa amplamente um terceiro aumento consecutivo de 25 pontos base nas taxas. O mercado de taxas australiano está atualmente a descontar cerca de 19 pontos base de aperto para essa reunião, com aproximadamente 60 pontos base de aumentos esperados para o resto de 2026.
- Reunião da Fed
Data: quarta-feira, 29 de abril, às 19h00 GMT
Na sua reunião de março, a FOMC manteve as taxas no intervalo dos 3,50% – 3,75%, reforçando uma postura dependente dos dados, enquanto reconheceu uma maior incerteza decorrente do conflito crescente no Médio Oriente e do aumento dos preços da energia. O gráfico de pontos de março continuou a sinalizar um único corte de 25 pontos-base na taxa em 2026, embora as minutas tenham mostrado que o choque inflacionário impulsionado pelo petróleo complicou as perspetivas. Alguns membros defenderam o adiamento de qualquer flexibilização, enquanto outros salientaram a necessidade de manter a flexibilidade caso seja necessária uma política mais restritiva. Não se espera qualquer alteração na reunião da próxima semana, com os mercados de futuros a descontar uma probabilidade quase certa de manutenção. A atenção voltará a centrar-se na conferência de imprensa do presidente Powell para detetar quaisquer mudanças de tom. O mercado de taxas dos EUA está agora a descontar apenas 7 pb de flexibilização para todo o ano de 2026, uma redução significativa em relação aos cerca de 60 pb descontados no final de fevereiro.
- Reunião do Banco de Inglaterra
Data: quinta-feira, 30 de abril, ao 12h00 GMT
Na sua reunião de março, o BoE manteve a taxa oficial de juro estável nos 3,75% por unanimidade (9-0), uma mudança notável em relação à decisão apertada de fevereiro (5-4). O comité adotou um tom mais hakish, citando o conflito no Médio Oriente e os preços globais mais elevados da energia como novas fontes de incerteza em relação à inflação. O banco central reviu as suas previsões em alta, projetando agora que a inflação suba para cerca de 3,5% até meados do ano.O Comité está pronto a agir conforme necessário para garantir que a inflação do IPC se mantém no caminho certo para atingir a meta de 2% a médio prazo. O relatório de inflação de março divulgado esta semana mostrou que o IPC global subiu de 3,0% para 3,3% em termos homólogos, em linha com as expectativas e refletindo o impacto inicial do choque no abastecimento energético. No entanto, o índice subjacente abrandou ligeiramente de 3,2% para 3,1%, o que ajudou a acalmar os receios imediatos de um aumento das taxas na reunião da próxima semana. O mercado de taxas do Reino Unido está atualmente a descontar um aumento total de 25 pontos base para a reunião de julho, com outro aumento de 25 pontos base previsto antes do final do ano.
- Reunião do BCE
Data: quinta-feira, 30 de abril, às 13h15 GMT
Na sua última reunião em março, o BCE manteve a taxa da facilidade de depósito inalterada nos 2,00%. O Conselho do BCE apresentou uma clara viragem hakish, reconhecendo que o conflito crescente no Médio Oriente e o consequente aumento dos preços da energia tinham introduzido riscos de subida para a inflação. As projeções foram revistas em alta para a inflação, para 2,6% em 2026, e em baixa para o crescimento, para 0,9% em 2026. Embora não se preveja qualquer alteração nas taxas na reunião da próxima semana, a perturbação em curso no Estreito de Ormuz apenas intensificou as preocupações inflacionistas. Lagarde e outros responsáveis do BCE têm enfatizado a necessidade de estar atentos a qualquer alargamento do choque energético aos preços subjacentes, aos salários e às expectativas de preços de venda, num esforço para distinguir entre um choque temporário do lado da oferta e um que exija uma resposta política. Depois de passar a primeira parte de 2026 a descontar múltiplos cortes nas taxas, o mercado europeu de taxas de juro reajustou agressivamente os preços nas últimas semanas. Um primeiro aumento de 25 pontos base está agora totalmente descontado para a reunião do BCE em julho, com um segundo aumento de 25 pontos base precificado antes do final do ano.
Earnings Season nos EUA
A época de divulgação dos resultados do primeiro trimestre de 2026 nos EUA ganha força com os relatórios de resultados de empresas como a Spotify, UPS, BP, Visa, Robinhood Markets, Starbucks e 5 das 7 Magníficas, Amazon, Microsoft, Meta, a Alphabet e Apple. Os resultados apresentados por estas empresas deverão ter impacto direto nos índices acionistas, como também as perspetivas quanto aos lucros e receitas futuras. Isto pode dar uma visão mais abrangente como será o comportamento dos mercados nos próximos meses.






