Próxima escalada de Putin pode ser um ataque total cibernético aos Estados Unidos, garante Biden, que já alertou infraestruturas críticas americanas

Presidente americano alertou esta segunda-feira, em comunicado, que era altura de o sector privado, que possui grande parte da infraestrutura crítica do país e que nem sempre ouviu os avisos do Governo, endurecer rapidamente as suas defesas online

Francisco Laranjeira
Março 22, 2022
19:02

O presidente americano Joe Biden já deixou o aviso: a Rússia está a explorar opções para ataques cibernéticos aos Estados Unidos. Vladimir Putin, segundo relatou a ‘CNN’, poderia voltar as suas agências de inteligência ou grupos de hackers para os departamentos do Governo americano, hospitais, infraestruturas críticas e serviços públicos – abrir uma frente cibernética, ou pelo menos insinuar uma, seria consistente com a estratégia de escalada de Putin.

A questão chave, apontou a televisão americana, é se o líder russo arriscaria um conflito cibernético completo com Washington, que tem capacidades que podem superar o arsenal da Rússia e podem causar rapidamente ataques devastadores contra a infraestrutura crítica russa – Joe Biden alertou esta segunda-feira, em comunicado, que era altura de o sector privado, que possui grande parte da infraestrutura crítica do país e que nem sempre ouviu os avisos do Governo, endurecer rapidamente as suas defesas online.



“A magnitude da capacidade cibernética da Rússia é bastante consequente e está a chegar”, alertou, Joe Biden. “Ainda não a usou mas faz parte da sua cartilha.”

Anne Neuberger, vice-conselheira de segurança nacional da Casa Branca para tecnologia cibernética e emergente, garantiu na passada 2ª feira que, após serem detetadas “atividades preparatórias” da Rússia, o Governo americano realizou briefings confidenciais com empresas e sectores que poderia ser vulneráveis a ataques cibernéticos.

Vladimir Putin tem razões para querer atacar os Estados Unidos: as sanções internacionais sem precedentes estão a ter um efeito devastador na economia russa e quanto mais tempo permanecerem em vigor, mais prejudicarão os russos. O sector bancário está isolado do mundo e o país tornou-se um pária internacional.

Os ataques cibernéticos, embora fossem uma escalada nas circunstâncias atuais, não seriam uma nova tática russa. Há quase um ano, Washington culpou o Serviço de Inteligência Estrangeira da Rússia pelo ataque da SolarWinds em 2020 a servidores federais e uma ampla varredura do sector público e impôs sanções. Acredita-se que um grupo criminoso originário da Rússia, chamado ‘DarkSide’, seja responsável por um ataque cibernético de ransomware no trans-America Colonial Pipeline no ano passado.

Na cimeira de Genebra, no verão passado, Biden disse a Putin que certas áreas de infraestrutura crítica deveriam estar fora dos limites para ataques cibernéticos e delineou 16 entidades específicas, incluindo energia e água. Mas, no seu relatório anual de Ameaças recém-publicado, a comunidade de Inteligência dos EUA alertou que a Rússia estava a desenvolver capacidades para atacar cabos submarinos e os sistemas de controlo industrial dos EUA.

A ideia de que Putin não ousaria iniciar um conflito cibernético com os Estados Unidos pode agora ser menos convincente, dada a duvidosa tomada de decisão do presidente russo na guerra até agora. Putin ultrapassou várias barreiras de comportamento aceitável com a sua invasão de uma nação soberana e independente – a sua ofensiva agora degenerou em terríveis ataques aéreos, de artilharia e mísseis contra civis.

O poder do alerta de Biden – mesmo que os ataques cibernéticos não sejam iminentes – foi consolidado pelo sucesso da comunidade de inteligência até agora em expor e prever as ações dos militares russos, que contrastou com os fracassos da comunidade na guerra do Iraque e antes dos ataques de 11 de Setembro de 2001.

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