Provas-ensaio digitais terminam hoje com avaliações divergentes: Fenprof alerta para “caos generalizado”, diretores destacam ensaio bem-sucedido

O objetivo desta iniciativa, promovida pelo Ministério da Educação, Ciência e Inovação, foi proporcionar aos estudantes uma adaptação à nova realidade das provas digitais e avaliar a capacidade das escolas para a sua implementação, tanto a nível tecnológico como organizativo e logístico.

Executive Digest

As provas-ensaio digitais realizadas pelos alunos do 4.º, 6.º e 9.º anos chegaram ao fim, permitindo testar o novo formato de avaliação em suporte digital. O objetivo desta iniciativa, promovida pelo Ministério da Educação, Ciência e Inovação, foi proporcionar aos estudantes uma adaptação à nova realidade das provas digitais e avaliar a capacidade das escolas para a sua implementação, tanto a nível tecnológico como organizativo e logístico.

Para além disso, estas provas visaram identificar falhas e dificuldades que poderão ser ajustadas antes da realização das Provas de Monitorização da Aprendizagem (ModA), que decorrem entre 19 de maio e 6 de junho, e das provas finais do 3.º ciclo, marcadas para o período de 20 a 25 de junho.

No entanto, as avaliações sobre o ensaio dividiram opiniões. Enquanto a Fenprof denunciou problemas técnicos que poderão comprometer o sucesso do novo modelo, vários diretores de escolas garantem que as provas decorreram sem incidentes significativos, com um feedback positivo dos alunos.

Fenprof alerta para falhas e antecipa problemas graves em junho

O secretário-geral adjunto da Federação Nacional dos Professores (Fenprof), José Feliciano Costa, expressou preocupações sobre dificuldades técnicas registadas durante a realização das provas-ensaio, alertando para a possibilidade de um “caos generalizado” quando o modelo for aplicado em larga escala, no final do ano letivo.

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Em declarações à TSF, o dirigente sindical apontou problemas de conectividade, computadores bloqueados e falhas nos auscultadores como os principais obstáculos enfrentados pelos alunos.

“Os alunos tiveram de mudar de sala porque havia um conjunto significativo de computadores que já vinham bloqueados. Além disso, a maior parte dos auscultadores não funcionava corretamente, e o programa não permite que os estudantes possam voltar atrás para tentar ouvir.”

José Feliciano Costa referiu ainda que a falta de routers em algumas salas obrigou à deslocação de alunos, criando dificuldades adicionais à gestão das provas.

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“Em cada sala está um staff, que inclui elementos da direção e professores de informática, a tentar resolver os problemas. Agora imagine quando isto for em simultâneo, com todas as salas em funcionamento e dezenas de milhares de alunos a realizar provas ao mesmo tempo.”

Face a estes problemas, o responsável da Fenprof teme que, em junho, a situação possa descontrolar-se, gerando um “sentimento de pânico” entre os alunos e professores.

Diretores garantem que ensaio decorreu sem problemas

Apesar das críticas da Fenprof, vários diretores de escolas apresentaram uma visão oposta, descrevendo a realização das provas-ensaio como um processo tranquilo e bem organizado.

Em Coimbra, António Courceiro, diretor da EB 2,3 António Courceiro, afirmou que não houve falhas de conectividade nem incidentes significativos.

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“Correu tudo muito bem, sem problemas nenhuns de conectividade. Não houve stress rigorosamente nenhum. Para provas-ensaio, foi um excelente ensaio para a prova grande.”

O diretor explicou que o sucesso do ensaio resultou de uma preparação atempada, com verificações prévias dos equipamentos. “Na sexta-feira, verificámos os computadores das crianças e os auscultadores. Estava tudo a funcionar”, disse na altura.

Opinião semelhante foi partilhada por Rute Silva, diretora do Agrupamento de Escolas de Monserrate, em Viana do Castelo, que descreveu um ambiente de normalidade durante a realização das provas.

“Não tivemos nenhum aluno que tivesse faltado, não tivemos problemas com a Internet. As provas de português e português língua não materna estavam destinadas àqueles alunos, e os alunos acederam com os códigos que tinham. Correu tudo muitíssimo bem, muito tranquilo.”

Segundo a diretora, as provas decorreram dentro do tempo estipulado e os alunos terminaram a avaliação “tranquilos”. Para garantir um apoio adicional, a escola contou com a presença de um técnico informático, mas não foi necessário intervir em situações graves.

A realização das provas-ensaio digitais revelou dois cenários distintos. Se por um lado a Fenprof denuncia falhas graves, que podem comprometer o modelo digital quando implementado a nível nacional, por outro, alguns diretores de escolas garantem que a experiência foi positiva e decorreu sem complicações.

A questão central parece estar na capacidade de cada escola para se adaptar tecnologicamente, com diferentes realidades de infraestrutura e recursos a influenciar a experiência dos alunos.

Nos próximos meses, o Ministério da Educação, Ciência e Inovação terá a responsabilidade de analisar os problemas registados e garantir que, em maio e junho, o sistema esteja devidamente ajustado para evitar contratempos nas provas oficiais.

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