Proteção Civil admite evacuações nas próximas horas devido a cheias. Mondego é agora o rio mais preocupante

A Proteção Civil alertou, ao final da tarde desta terça-feira, para um agravamento significativo do risco de cheias em várias regiões do país e admitiu a possibilidade de retirada preventiva de populações que residem em zonas vulneráveis.

Pedro Gonçalves
Fevereiro 10, 2026
19:39

A Proteção Civil alertou, ao final da tarde desta terça-feira, para um agravamento significativo do risco de cheias em várias regiões do país e admitiu a possibilidade de retirada preventiva de populações que residem em zonas vulneráveis. O comandante nacional de emergência e proteção civil, Mário Silvestre, sublinhou que, perante a evolução do quadro hidrológico, poderá ser necessário “saírem de casas e serem deslocadas provisoriamente para zona de segurança enquanto o risco, que é bastante alto, de inundações se mantiver”.

O responsável apontou o rio Mondego como a situação mais crítica neste momento, explicando que “as quotas são bastante elevadas, as afluências ao rio também são bastante elevadas, e portanto os caudais que temos neste momento no Mondego têm potencial muitíssimo significativo de poder causar inundações”. Dirigindo-se diretamente às populações ribeirinhas, recomendou que “tomem todas as medidas preventivas para que possam abandonar as suas casas se assim houver essa necessidade”, recordando o histórico de galgamentos das margens.



Mondego lidera preocupações, Tejo mais estável mas sob vigilância
Além do Mondego, a Proteção Civil mantém vigilância apertada sobre o Tejo, embora com um cenário ligeiramente menos pressionante. Segundo Mário Silvestre, trata-se de “uma situação mais estável”, mas que “não deixa de haver risco e preocupação”.

Foram ainda identificadas zonas críticas no Sorraia, no Vouga — com “potencial de inundações em Águeda” — e no Sado, onde existe possibilidade de continuidade de cheias.

Noutras bacias, o risco mantém-se elevado, abrangendo os rios Minho, Coura, Lima, Cávado, Douro, Tâmega — “sobretudo na zona de Amarante” —, Sousa, Lis, Nabão e Guadiana.

Planos de emergência ativados em todo o país
Face à instabilidade meteorológica e hidrológica, o dispositivo nacional permanece reforçado. Estão ativos 11 planos distritais de emergência e proteção civil, 125 planos municipais e 15 declarações de situação de alerta decretadas por autarquias. Mantém-se também o plano especial de risco de cheia da bacia do Tejo no nível mais elevado, o vermelho.

O balanço operacional apresentado inclui 14.084 ocorrências registadas, 48.406 operacionais empenhados no terreno e mais de 19 mil meios mobilizados.

Quedas de árvores, deslizamentos e estradas cortadas
As situações mais frequentes têm sido quedas de árvores, movimentos de massa — designadamente deslizamentos de terras — e inundações. O comandante nacional alertou para a necessidade de prudência acrescida nas áreas sujeitas a forte precipitação, sublinhando que “têm havido vários abatimentos em muitas zonas do país”.

Estes fenómenos estão a provocar cortes constantes de estradas e constrangimentos na circulação. “Isto coloca em causa a população”, avisou, pedindo “muito cuidado no trânsito”.

Entre os episódios mais relevantes, destacou derrocadas sucessivas em Ponte da Barca, com danos em habitações e num veículo, e um salvamento aquático em Estarreja, no distrito de Aveiro.

Milhares de clientes sem eletricidade
A empresa E-Redes reportou ainda cerca de 41 mil clientes sem fornecimento de energia elétrica, reflexo direto do impacto do mau tempo nas infraestruturas.

A Proteção Civil antecipa cheias, transbordo de rios, deslizamentos de terras, colapso de muros, taludes e encostas, bem como interrupções de vias e possível isolamento de localidades. São também expectáveis pisos rodoviários escorregadios ou cobertos por lençóis de água ou gelo, arrastamento de objetos para as estradas, fissuras no pavimento e acidentes na orla costeira devido à forte ondulação. Durante a manhã, poderá formar-se neblina ou nevoeiro.

Mário Silvestre reforçou orientações claras: quem estiver a conduzir “não atravesse zonas inundadas”, devendo parar em locais seguros, longe de linhas de água, e evitar túneis ou passagens inferiores.

Em casa, recomenda-se fechar portas e torneiras, desligar gás e eletricidade, permanecer em pisos superiores ou áreas elevadas e afastar equipamentos elétricos da água. Em caso de evacuação, deve levar-se apenas o essencial, incluindo medicação.

O comandante insistiu ainda em comportamentos de autoproteção, pedindo que se evite caminhar em áreas inundadas, manter distância de rios e ribeiras, não se aproximar para fotografar ou filmar cheias, comunicar às autoridades fissuras no solo, quedas de árvores ou deslizamentos e nunca tocar em cabos elétricos caídos.

Com o risco a manter-se elevado nas próximas horas, a Proteção Civil apela à vigilância permanente e ao cumprimento rigoroso das instruções, numa fase em que a prioridade é reduzir a exposição das populações a situações potencialmente perigosas.

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