Promoção, segurança e união

Por Bernardo Corrêa de Barros, Presidente do Turismo de Cascais

São vários os desafios que se apresentam no futuro próximo e são também inúmeras as incertezas da Indústria do Turismo, levando a que os níveis de confiança desta mesma indústria não sejam muito elevados, contrastando com o optimismo da Senhora Secretária de Estado do Turismo (SET).

No recente fórum realizado no Centro Cultural das Caldas da Rainha, os vários líderes sectoriais vieram demonstrar as suas incertezas e preocupações, que continuam a ser muitas.

A Associação da Hotelaria de Portugal (AHP), apenas acredita numa retoma da actividade, aos níveis de 2019, no ano de 2024. A Associação Portuguesa de Empresas de Congressos, Animação Turística e Eventos (APECATE) refere dificuldades na retoma, como resultado dos despedimentos ocorridos e à consequente falta de pessoal especializado para trabalhos futuros.

Por seu lado, a APAVT (Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo) refere uma recuperação lenta, opinião também secundada pela AHRESP (Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal), com recuperações a diferentes ritmos nos diversos sectores, com a necessidade de apoios a serem mantidos até ao final do ano.

Todos os sectores concordam que, sem a retoma do Turismo não existe retoma da Economia, dado o seu peso no PIB.

É sabido e recentemente reconhecido pela Senhora Secretária de Estado do Turismo que as empresas ligadas ao Turismo “apresentaram perdas de mais de mil milhões de euros de capitais próprios”, levando naturalmente à falência de vários negócios e ao desemprego de muitos.

Como já tenho afirmado, sou um optimista militante, acredito numa retoma mais rápida do que o esperado. Acredito muito nos nossos empresários, na sua resiliência e capacidade de reinvenção. Estamos, definitivamente, na altura de virar a página, como disse, e bem, a SET.

Acredito que estamos numa posição única e privilegiada para uma retoma rápida em termos turísticos. Acredito também que o – agora designado – Certificado Digital Covid-19 da EU (anteriormente designado Certificado Verde Digital) normalizará as deslocações e que o processo, agora liderado pela Eslovénia, será de implementação rápida dado o acordo alcançado pela Presidência Portuguesa da União Europeia. Neste sentido, considero fundamental e vital a preocupação levantada pela SET relativamente à importância de garantirmos mercados fora da União Europeia, tais como EUA, Brasil, Canadá e Reino Unido.

Estamos na altura de dar as mãos, de gritar alto e a bom som o nome de Portugal, de garantir o seu posicionamento internacional e continuar a passar uma mensagem de segurança.

A mais antiga aliança em força do mundo deu finalmente frutos e a colocação de Portugal na “lista verde” do Reino Unido veio aumentar a esperança de todos. Esta foi, talvez, das melhores acções de promoção de Portugal a que alguma vez pude assistir. Ainda nesta leva de notícias positivas, considero que a UEFA deu a Portugal um sinal de confiança com a realização, pelo segundo ano consecutivo, da Final da Champions League no nosso país.

Torna-se agora necessário alavancar estes dois exemplos que posicionam Portugal como um destino seguro.

Compreendo, naturalmente, os responsáveis dos diversos sectores e partilho algumas das suas dúvidas e preocupações, acreditando em diferentes previsões de retoma.

Temos de continuar a ser o bom aluno, garantir que questões sociais e de greves (como a prevista pelo Serviço de EF, não questionando as razões da mesma) não mancharão a nossa imagem internacional.

As palavras de ordem, têm obrigatoriamente de ser nesta fase: promoção, promoção, promoção, segurança e união.

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