Esta segunda-feira foi revelado que o primeiro-ministro espanhol Pedro Sánchez e a ministra da Defesa Margarita Robles foram as mais recentes vítimas do software de espionagem israelita Pegasus. O programa foi usado para extrair informações dos telemóveis de Sánchez e de Robles.
Os serviços de inteligência espanhóis acreditam que os responsáveis foram serviços secretos de um país que pretende desestabilizar Espanha.
Certo é que este software israelita já foi usado para espiar vários líderes mundiais.
Quando ocorreu a espionagem e quem foi afetado?
De acordo com o ministro da presidência espanhol, Félix Bolaños, entre maio e junho de 2021, os telemóveis do primeiro-ministro de Espanha, Pedro Sánchez, e da ministra da Defesa, Margarita Robles, foram espiados.
Não há provas de invasões posteriores.
Como o Pegasus infeta os telemóveis?
O ‘spyware’ foi desenvolvido pela empresa israelita NSO Group e não necessita de nenhuma ação do utilizador para aceder a um telemóvel. No entanto, o Pegasus pode recorrer ao ‘phishing seletivo’: envia uma mensagem com a qual basta fazer um click para aceder ao terminal. Também pode ser instalado através de uma chamada, sem que esta tenha de ser atendida.
A que dados pode aceder?
O Pegasus extraiu 2,6 gigabytes do telemóvel de Pedro Sánchez em maio do ano passado e 130 megabytes em junho. Os dados foram extraídos do telemóvel de Robles apenas uma vez, e totalizaram 9 megabytes de informação.
Mas mais importante do que a quantidade é a informação que foi extraída. Segundo Josep Albors, chefe de investigação da empresa de segurança cibernética ESET, o Pegasus é capaz de filtrar todo o tipo de informação, pode ativar o microfone ou a câmara e gravar. É capaz de aceder a fotos, vídeos ou mensagens, entrar nas redes sociais, na lista de contatos ou ver os compromissos que estão na agenda do dispositivo. E pode servir como escuta nas chamadas.
Que outros líderes foram espiados?
Como revelou o The Washington Post há um ano, pelo menos três presidentes, 10 primeiros-ministros e um rei foram espiados pelo Pegasus. Os três presidentes espiados foram: Emmanuel Macron (França), Barham Salih (Iraque) e Cyril Ramaphosa (África do Sul). Os 10 primeiros-ministros espiados foram: Imran Khan (Paquistão), Mustafa Madbouly (Egito), Saadeddine El Othmani (Marrocos), que ainda ocupam esse cargo; e Ahmed Obeid bin Daghr (Iémen), Saad Hariri (Líbano), Ruhakapa Rugunda (Uganda), Bakitzham Sagintayev (Kajztan), Nuredin Bedui (Argélia) e Charles Michel (Bélgica). O rei de Marrocos, Mohamed VI também foi alvo do software de espionagem.
Foi Marrocos quem espiou Macron?
Em julho de 2021, o jornal francês Le Monde revelou que o presidente Emmanuel Macron tinha sido vítima de espionagem e que o seu telemóvel estava infetado com o software israelita. Os telemóveis de 14 membros do governo francês também estavam infetados. De acordo com a investigação do jornal, o número de Macron fazia parte de uma lista de telemóveis escolhidos pelo serviço de segurança marroquino, algo que Rabat sempre negou.
A infeção no telefone de Macron ocorreu em 2019, num contexto conturbado no norte de África com a Argélia – um inimigo de Marrocos – e quando o líder francês estava prestes a iniciar uma viagem pelo continente africano. Após a publicação da notícia, uma fonte do Palácio do Eliseu classificou o caso como “muito grave”.
Depois de ser apresentada uma queixa ao Governo o que acontece?
Após a queixa dar entrada na justiça será decidido que juiz vai ser responsável pela abertura do processo. Habitualmente será transferido para o Ministério Público. Sendo admitido o processo, a documentação fornecida pelo governo deve ser analisada e serão solicitados relatórios às autoridades competentes.
Qual o nível de segurança dos telemóveis de Sánchez e Robles?
Os telemóveis dos membros do governo espanhol têm dupla encriptação. Além disso, para controlar e prevenir ataques aos dispositivos mais sensíveis, as principais instituições do estado fazem auditorias de segurança aos seus próprios terminais que são capazes de detetar se foram vítimas de espionagem. Se isso tiver acontecido, o incidente é imediatamente reportado ao Centro Criptológico Nacional.














