Uma moratória nacional que proibisse as autoridades de cortar a água nos Estados Unidos, por falta de pagamento, poderia ter evitado quase meio milhão de infeções por Covid-19 e poupado pelo menos nove mil vidas, segundo um novo estudo citado pelo ‘The Guardian’.
Uma boa higiene é essencial para prevenir a propagação do coronavírus altamente contagioso. Cedendo à pressão de especialistas em saúde pública e grupos de direitos humanos, centenas de estados norte-americanos suspenderam os cortes de água impostos por pagamentos em atraso, garantindo que as famílias mantivessem água potável para lavagem das mãos e saneamento.
Ainda assim, muitos recusaram-se a fazê-lo e outros voltaram a cortar o bem essencial alguns meses depois, com o Governo a negar-se a intervir impondo uma moratória nacional. Perante isto, no final de 2020, cerca de 211 milhões de norte-americanos tiveram as suas torneiras fechadas durante a pior crise económica e de saúde pública da história moderna.
Esta situação custou milhares de vidas nos Estados Unidos, entre abril e dezembro do ano passado, de acordo com uma pesquisa agora divulgada pela ‘Cornell University’ e pelo grupo de defesa nacional Food & Water Watch (FWW).
Os investigadores descobriram que os estados que suspenderam os cortes de água reduziram significativamente as suas taxas de crescimento de infeções e mortes por Covid-19, em comparação com os restantes que não aplicaram essa medida. A maior redução foi observada em regiões com proibições abrangentes, que cobriam todos os serviços públicos e privados.
Se este tipo de políticas tivessem sido adotadas nos Estados Unidos, a nível nacional, o modelo de estudo mostra que os casos de Covid-19 poderiam ter sido reduzidos em 4% e as mortes em 5,5% nos 41 estados.
“Esta pesquisa mostra claramente que a dor e o sofrimento causados pela pandemia foram exacerbados por líderes políticos que não tomaram medidas para manter o fluxo de água para famílias em dificuldades”, disse Wenonah Hauter, diretora executiva da FWW.














