Atores, produtores, cenógrafos, técnicos e outros profissionais do setor da cultura manifestam-se, esta quarta-feira, em frente à Assembleia da República, apelando novamente a mais apoios. Praticamente um ano após a vigília que fizeram no mesmo local, os trabalhadores dizem-se agora “mais cansados, mais descrentes, mais desconsiderados, mas ainda menos resignados”, pelo que um novo protesto sai hoje à rua, entre as 10 e as 17 horas.
A manifestação será, desta vez, um velório simbólico. Os manifestantes da Vigília Cultura e Artes planeiam levar consigo um caixão, dentro do qual “estarão todos os que todos os dias ficam para trás”, segundo anunciam nas suas redes sociais.
“Se em maio de 2020 perguntávamos “E se tivéssemos ficado sem cultura?”, num convite a um exercício imaginativo que sabíamos impossível, porque a cultura e as artes não desaparecerão nunca, hoje perguntamos “E se ficássemos sem profissionais da cultura?”, num exercício que nos parece bem mais realista”, admitem os trabalhadores que pedem mais apoios a um setor que tanto sofreu com a pandemia.
Os profissionais da cultura dizem-se, num comunicado oficial, “deixados ao abandono” pelo Estado, “apesar dos anúncios de milhões, dos apoios que servem sempre menos do que aqueles que excluem e das medidas avulsas que chegam sempre com atraso e desadequação”.
Mais de trinta profissionais das artes já tinham, a semana passada, denunciado que continuam sem resposta ao pedido de apoio social extraordinário, anunciado em janeiro pela ministra da Cultura.
Este apoio, no valor de 438,81 euros, tinha inicialmente uma prestação única, mas no decorrer do processo o Governo alargou-o a três meses e mudou os critérios da atribuição, com efeitos retroativos, para abranger casos que ficaram excluídos. Os apoios parecem, no entanto, não estar a chegar.














