O movimento cívico de professores Missão Escola Pública (MEP) lançou esta sexta-feira um alerta público sobre os potenciais riscos associados à realização da prova de Matemática do 9.º ano em formato digital, sublinhando que o atual modelo poderá gerar desigualdades entre alunos e colocar em causa a integridade do exame devido ao “risco de fuga de informação”.
A prova, que se realiza hoje em todo o país, decorre em dois turnos distintos: o primeiro iniciou-se às 9h30 e o segundo tem início marcado para as 12h00. No entanto, de acordo com o MEP, a organização deste modelo de aplicação digital levanta sérias preocupações no que respeita à equidade do processo e ao sigilo das provas.
“Esta prova pode realizar-se em dois turnos distintos: o turno 1, que inicia às 9h30, e o turno 2, que tem início às 12h00. No entanto, a legislação em vigor e os comunicados emitidos às escolas pelo Júri Nacional de Exames (JNE) não acautelam, de forma suficiente, o risco de comunicação entre alunos de escolas diferentes, nomeadamente através de redes sociais ou outros meios digitais”, lê-se no comunicado divulgado pelo movimento.
Segundo o MEP, as orientações emanadas pelo JNE centram-se essencialmente na prevenção de contactos entre alunos da mesma escola, descurando, no entender dos professores, “o contexto mais amplo da realidade digital e interligada em que vivemos”. A possibilidade de os estudantes comunicarem entre si, após a realização da prova no primeiro turno, mas antes da realização do exame pelos colegas do segundo turno, é apontada como um dos principais fatores de risco para a fuga de informação.
De acordo com o movimento, os alunos que terminam o exame no primeiro turno podem abandonar as escolas por volta das 11h00, ficando com total liberdade para contactar outros colegas, quer presencialmente, quer através de meios digitais, como redes sociais ou aplicações de mensagens. “Não estão a ser implementadas medidas específicas para salvaguardar o sigilo”, reforça o MEP, sublinhando que os alunos do segundo turno costumam apresentar-se nos estabelecimentos entre as 11h00 e as 11h30.
O Missão Escola Pública denuncia ainda que existem discrepâncias significativas nos procedimentos adotados por diferentes escolas, o que, no seu entender, acentua as desigualdades no processo. “Algumas [escolas] convocam os alunos do segundo turno para as 11h00, outras para as 11h30; algumas recolhem os telemóveis logo à chegada, outras apenas dentro da sala de prova”, exemplifica o movimento.
Neste contexto, o MEP questiona a eficácia dos mecanismos de controlo existentes: “Que mecanismos existem para garantir que não foram feitas capturas de ecrã durante a prova?”, interrogam os professores no comunicado.
Além das preocupações com o risco de fuga de informação, o movimento alerta para as dificuldades acrescidas que o modelo digital das provas impõe às escolas e aos docentes. “A logística associada à aplicação digital destas provas implica um esforço acrescido por parte das escolas e dos professores, que já se encontram em situação de sobrecarga”, lê-se na nota enviada às redações. Para o MEP, esta sobrecarga junta-se à “instabilidade criada por orientações vagas e variáveis”, o que contribui para aumentar a ansiedade dos alunos “precisamente no momento em que se joga uma parte significativa da sua avaliação”.
O movimento termina o seu comunicado com um alerta para a importância do momento: “Está em causa o trabalho de milhares de profissionais, o percurso académico de milhares de alunos e a credibilidade de todo o sistema educativo”, frisa o Missão Escola Pública.
Até ao momento, o Ministério da Educação não reagiu publicamente às críticas do movimento. A realização das provas digitais tem sido um dos pontos mais debatidos no presente ano letivo, com professores e diretores escolares a apontarem repetidamente dificuldades logísticas e falhas nos sistemas informáticos.














