Na semana em que foi quebrada a barreira dos 10 mil casos confirmados de infecção por Covid-19, o consumo foi, «em grande medida, influenciado pela preparação da celebração da Páscoa», segundo a consultora Nielson.
As vendas nos super e hipermercados cresceram 20% entre 30 de Março e 5 de Abril, face ao período homólogo, e 15% em relação à semana anterior, revela a quinta edição do Barómetro semanal da Nielsen. As vendas andaram na ordem dos 187,5 milhões de euros, com destaque para os bens de grande consumo.
«A evolução das vendas nas categorias de FMCG demonstra que os Portugueses que se mantêm em quarentena têm vindo a tentar assegurar um bem-estar e cuidado consigo próprios, muito provavelmente para tentar experienciar esta nova realidade da melhor forma possível», explica Marta Teotónio Pereira, Client Consultant Senior da Nielsen.
Neste período, os portugueses encheram os carrinhos com produtos de higiene pessoal, nomeadamente depilação (+31%) e produtos para Cabelo (+20%), que entram para o ranking de maiores crescimentos de «Higiene Pessoal e do Lar». Paralelamente, os produtos que se mantêm no top dos crescimentos em «Frutas e Legumes» evidenciam uma preocupação com a defesa do sistema imunitário: laranja (+115%), limão (+98%), tangerina/clementina (+71%) e Kiwi (+33%).
O impacto da Páscoa foi igualmente notório nas vendas do talho, que cresceram 18%, com destaque para a carne de ovino e caprino (+85%), tradicionalmente encontrada nesta época à mesa das famílias portuguesas.
Portugueses compram cada vez mais online
A Nielsen destaca ainda um «enorme impulso» a ser sentido no E-commerce. «Na semana 14, o número de ocasiões de compra online cresce 200% e aumenta 192% em novos lares», adianta.
«Os valores para as vendas do retalho alimentar nesta semana 14 – a semana anterior à Páscoa – demonstram que, apesar das restrições impostas à circulação em território nacional, os portugueses fizeram planos para se sentarem à mesa nas suas casas para celebrar esta época central no calendário religioso e na vivência familiar», sublinha Marta Teotónio Pereira.
Olhando para o barómetro da Nielsen, constata-se também que a marca própria ganhou peso a partir da semana 11. Se desde o início do ano, e numa realidade ainda pré-Covid-19, o crescimento da marca própria se encontrava nos 30,8%, após o início da pandemia este passa a situar-se nos 32,8%.
Já a tendência promocional surge com uma tendência inversa. A Nielsen faz notar uma quebra desde o início dos efeitos da pandemia no mercado nacional. No período pré-Covid-19 o valor médio das vendas em promoção posiciona-se muito próximo dos 50%. Na primeira semana do vírus em Portugal chegou mesmo aos 51,2%. Mas, nesta semana, o fenómeno de quebra «é já plenamente percetível», tendo caido para os 32,5%.
Por outro lado, a procura por soluções de proximidade destaca-se a partir da semana 12, data em que é declarado o Estado de Emergência em Portugal e as famílias passam a ficar em casa devido ao encerramento das escolas. As lojas livres-serviços ultrapassam pela primeira vez, neste período, a barreira percentual dos 15% de vendas em valor no conjunto de vendas registadas a nível nacional em todos os tipos de loja.
Diferentes contextos, realidades distintas
E no contexto europeu? «As dinâmicas de consumo apresentam-se distintas, reflectindo diferentes impactos da Covid-19 e respostas à mesma», sublinha a Nielsen.
Se em Portugal, Espanha, Itália e França o pico das vendas se situou na semana 11, com incrementos menores comparativamente ao período homólogo após essa data, a situação no Reino Unido mostra um pico do consumo na semana 12 e decréscimos face ao ano passado nas duas semanas seguintes.
Portugal conta já com 21.982 casos confirmados de infecção pelo novo coronavírus e 785 óbitos, segundo o boletim epidemiológico da Direção Geral da Saúde desta quarta-feira, dia 22 de Abril.
O Governo decretou o estado de emergência a 19 de Março, que já foi prorrogado duas vezes, estando previsto agora o seu fim a 2 de Maio. O diploma prevê a possibilidade de uma «abertura gradual, faseada ou alternada de serviços, empresas ou estabelecimentos comerciais».
A pandemia de Covid-19 já matou 178 pessoas e há quase 2,5 milhões de infectados em 193, segundo o mapa interactivo da universidade John Hopkins.














