Os procuradores europeus abriram uma investigação a Jordan Bardella, líder do partido francês de extrema-direita União Nacional (RN), por suspeitas de utilização indevida de fundos do Parlamento Europeu para financiar formação mediática antes de eleições nacionais.
A investigação resulta de uma queixa apresentada em Dezembro pela organização ativista AC!! Anti-Corruption, que acusou Bardella, atualmente apontado como favorito nas sondagens para as eleições presidenciais francesas do próximo ano — de ter recorrido a verbas europeias de forma indevida.
Segundo a denúncia da AC!! Anti-Corruption, Bardella terá utilizado fundos do Parlamento Europeu em 2022 para pagar formação mediática destinada a prepará-lo para as eleições presidenciais desse ano, nas quais Marine Le Pen concorreu contra Emmanuel Macron.
As regras da União Europeia determinam que os eurodeputados apenas podem utilizar estes fundos para atividades relacionadas com o exercício do mandato parlamentar, estando vedada a sua aplicação em campanhas políticas nacionais.
O Gabinete do Procurador Público Europeu, entidade competente para levar a tribunal casos relacionados com fundos da União Europeia, recusou comentar investigações em curso, não confirmando nem desmentindo a existência formal deste processo.
Contexto político a um ano das presidenciais
Jordan Bardella e a sua mentora política, Marine Le Pen, lideram atualmente as sondagens para as eleições presidenciais francesas do próximo ano. Bardella comprometeu-se a avançar como candidato caso o tribunal de recurso, em Julho, confirme a decisão que impede Le Pen de se candidatar.
Marine Le Pen, recorde-se, foi anteriormente condenada por utilização indevida de fundos da União Europeia para fins de campanha interna em França, durante o período em que exerceu funções como eurodeputada.
As sondagens indicam que o União Nacional deverá alcançar pelo menos 30% dos votos na primeira volta das presidenciais, assegurando o acesso à segunda volta, independentemente de o candidato ser Bardella ou Le Pen. A eleição é considerada determinante para França e para a Europa, uma vez que Emmanuel Macron não poderá recandidatar-se no final do seu segundo e último mandato.
Bardella rejeita acusações e fala em motivação política
Numa declaração publicada na rede social X, Jordan Bardella afirmou que irá cooperar com os procuradores europeus e disponibilizar toda a documentação que lhe seja solicitada. “Não temos absolutamente nada a reprovar a nós próprios”, assegurou, classificando as acusações como politicamente motivadas.
Também o partido União Nacional reagiu, afirmando não se deixar enganar por aquilo que descreve como uma instrumentalização política do sistema judicial.
A formação política acrescentou que a formação mediática em causa foi realizada por um prestador de serviços externo, “em conformidade com as regras do Parlamento Europeu e das suas instâncias”. Segundo o partido, as sessões incidiram sobre “questões europeias” e contaram com a participação de vários eurodeputados da União Nacional.
A investigação surge num momento politicamente sensível, com o partido de extrema-direita em posição favorável nas intenções de voto e com o cenário presidencial francês em aberto, dado o impedimento constitucional de Emmanuel Macron disputar um terceiro mandato.



