Processo de transição global da “fase aguda da pandemia” será “turbulento e difícil”, alerta especialista

O alerta foi dado por Jeremy Farrar, ex-consultor científico do governo do Reino Unido, que adiantou que a ideia de simplesmente “sair” de uma pandemia não é realista.

Simone Silva

As tensões nas sociedades em todo o mundo sobre a atual situação da Covid-19 serão muito difíceis de lidar, com o processo de transição da pandemia para uma fase menos restritiva, a prever-se complexo, avança o ‘The Guardian’.

O alerta foi dado por Jeremy Farrar, ex-consultor científico do governo do Reino Unido, que adiantou que a ideia de simplesmente “sair” de uma pandemia não é realista.

“Eu só não acho que podemos acordar na terça-feira e dizer que acabou. Não vai acontecer assim”, disse, numa reunião da Royal Society of Medicine, transmitida online.

Segundo o responsável, “a transição da fase aguda da pandemia para algo novo, ainda não definido, será muito difícil e turbulenta em todo o mundo, diferente em cada país, devido ao grau de desigualdade global e nacional”.

Farrar observou que um dos problema enfrentados é o facto de que, embora algumas pessoas possam argumentar que a pandemia já está no passado e que tudo foi um exagero, outras acreditam que ainda está longe de terminar. “Por isso será muito difícil lidar com as tensões dentro das sociedades”, afirmou.

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O especialista acrescentou ainda que, embora se preocupe com os impactos dos bloqueios na educação e na economia dos países, também receia que alguns queiram seguir em frente demasiado rápido.

“A minha preocupação é haver uma mudança muito rápida para dizer que tudo acabou, fazendo-nos perder a humildade de aceitar que estamos apenas há dois anos nisto e ainda há uma enorme incerteza”, afirmou, acrescentando que também é crucial resolver o problema da desigualdade das vacinas.

Embora Farrar tenha dito que o cenário mais provável é que exista uma transição para a Ómicron se tornar endémica, já que a variante é menos grave que outras, esta não é a única possibilidade. “Não podemos ignorar outros cenários que são menos otimistas, devemos estar absolutamente preparados”, defendeu.

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