Priyesh Patel: Quem é o autor da mais cara aquisição de um imóvel de luxo em Portugal em criptomoedas?

As duas primeiras propriedades dos projetos costeiros Aurora e Saudade (na ilha da Madeira), no valor total de 4,1 milhões de euros, foram vendidas em Portugal pela Prometheus International e pagas em ‘Cardano’. Esta venda torna-se assim na primeira e mais cara aquisição de um imóvel de luxo no país, onde o meio de pagamento foi realizado através de criptomoedas, revelou a empresa num comunicado exclusivo enviado à ‘Executive Digest’.

Priyesh Patel, CEO da Prometheus, revelou hoje que a empresa fechou um acordo, em agosto, para vender duas casas de luxo, pagas com a criptomoeda Cardano. A empresa desenvolveu novos protocolos que permitem a integração desta nova área de mercado nos seus requisitos internos KYC (“Know Your Costumer”) para concluir a transação em euros antes do registo e torná-la assim compatível com as leis europeias.

A posse dos imóveis também estará disponível como um NFT (Token Não-Fungível), permitindo que os futuros proprietários revendam as propriedades com apenas um clique, através da tecnologia Blockchain. A equipa jurídica da Prometheus garantirá que as transferências e os registos de propriedade estejam em conformidade com toda a legislação aplicável, até que os governos adotem a tecnologia blockchain nos seus processos.

A Executive Digest realizou uma entrevista exclusiva com Priyesh Patel, confrontando o executivo com algumas questões sobre este negócio e sobre o futuro da tecnologia blockchain e do mercado dos criptoativos em Portugal.

 

Porquê a Cardano (ADA) e não outro criptoativo cuja cotação seja maior como a Ethereum ou a Bitcoin?

O nosso cliente comprou este criptoativo muito cedo e desde então viu-a crescer de 6 cêntimos para 3 dólares. O seu investimento cresceu exponencialmente quando era cedo para ver a utilidade de Cardano antes de se tornar popular. Este cliente ainda acredita que o criptoativo vai chegar aos 5 dólares no próximo ano, caso em que pretende investir ainda mais em Portugal.

Foi uma intenção clara aumentar a capitalização do mercado? Poderia este ser um novo método para impulsionar as moedas crescentes, mas de valor minúsculo?

A ADA é uma das cinco maiores criptomoedas do mundo, está bem estabelecida e, como tal, é considerada como um dos investimentos mais estáveis a fazer. Não há nada de “minúsculo” na ADA, que neste momento está avaliada em mais de 70 mil milhões de dólares.

 

A tecnologia blockchain pode mudar o imobiliário?

Sem dúvida, absolutamente! É por isso que lançamos algo a que chamámos de “Project Blockchain”.

Estamos a construir uma propriedade chamada The Royal Blockhouse que simboliza e inspira-se em tudo sobre a blockchain como a conhecemos, desde o design, a velocidade, até à simplicidade.

Queremos ser capazes de executar toda a tecnologia smart home, assim como a gestão do próprio arrrendamento e venda de imóveis, através de NTF.

Somos os primeiros do mundo a fazê-lo e a nossa intenção é demonstrar um novo futuro disruptivo onde as coisas sejam familiares, mas mais rápidas, maiores e melhores.

 

O facto de Portugal ser um país onde Governo e banco central e ainda estão a estudar uma estratégia nacional de blockchain é sinónimo de atraso? Ou é mais uma oportunidade?

Uma oportunidade. Portugal recebeu esta nova classe de ativos e não começou a tomar decisões precipitadas.

O governo vai aproveitar o  para analisar e educar-se naquilo que é algo incrível e vital para o nosso futuro na forma como todos faremos as coisas.

Portugal é um país muito progressista, e acredito firmemente que legislarão, de forma a facilitar a fusão das economias tradicionais com tecnologias blockchain.

Há uma razão pela qual todos neste setor procuram mudar-se para Portugal, alguns dos quais nos escolheram para comprar as suas casas de sonho enquanto abraçam a revolução.

Este movimento demonstra que os investidores estão a depositar a sua confiança em Portugal, que já há algum tempo, tem sido uma nação neutra e amiga dos negócios.

 

Portugal pode ser um ‘hub’ de mineração e de mercado dos criptoativos?

Creio que Portugal tem certamente a possibilidade de se tornar um  [‘hub’]. Penso que o potencial de Portugal reside em ser capaz de facilitar as revoluções tecnológicas, proporcionando ambientes de negócio favoráveis a empreendedores como nós.

Portugal está a ganhar milhares de milhões de dólares em receitas estrangeiras, apenas por facilitar a residência de investidores em Portugal-

O Programa de Residência Não Habitual, os ‘Vistos Gold’ e outros programas Já o tornaram incrivelmente atrativo para os nómadas desta era.

 

Como vê a relaçãos dos reguladores europeus, em comparação por exemplo, com os reguladores norte-americanos, na forma como vê os mercados dos criptoativos?

Na minha opinião, a União Europeia representa a forma mais evoluída de democracia e de fiscalização regulamentar que existe. Este projeto colaborativo de 27 nações tem supervisionado algumas das políticas mais inovadoras e leis progressistas na terra.

O centro do mercado Crypto é a descentralização, e isso está no cerne da sua ideia original, a UE é o local perfeito para que algo assim floresça-.

Já os EUA são a atual casa da maior parte da riqueza do mercado dos criptoativos, apesar de a carga fiscal de algumas formas de negociação de criptomoedas ser tão elevada que não compensa.

Portugal, por outro lado, está a tomar a abordagem certa na tributação das mais-valias resultantes dos lucros em moeda fiduciária.

 

Os contratos inteligentes podem ser incutidos no mercado imobiliário? Como?

Sim, os Contratos Inteligentes podem ser aplicados a praticamente tudo o que você pode imaginar.

O principal benefício  é o acesso ao capital, à rapidez, à transparência e à acessibilidade. Qualquer um pode fazer tudo, mesmo em investimentos imobiliários. (Este mecanismo) também devolve o poder às pessoas.

Uma das coisas que estamos a desenvolver é a possibilidade de comprar ou vender uma casa, carregando apenas num botão. Ou então poder angariar capital junto dos investidores em troca de futuros ganhos de venda ou arrendamento da sua propriedade, e sempre de forma automática e sem intermediários, através da blockchain.

Claro que, por enquanto, até que as leis mudem, temos mecanismos para garantir que as transferências, KYC (Know Your Customer), ocorram offline como exigido por lei, mas quando isso mudar estaremos prontos para demonstrar o quão mais eficiente, acessível e, portanto, rentável seria para todos os envolvidos se reduzíssemos a burocracia dos encargos processuais.

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