Prisa avança contra dona do Correio da Manhã após falhanço da venda da TVI

A espanhola considera que a empresa incumpriu as obrigações do contrato de venda da Media Capital.

Executive Digest

A espanhola Prisa vai avançar contra a Cofina, por considerar que a empresa incumpriu as obrigações previstas no contrato de venda da Media Capital e ter abortado a operação «sem aviso prévio». A notícia está a ser avançada pelo “Expresso”.

«A sociedade iniciará a partir deste momento todas as acções contra a Cofina previstas no contrato de compra e venda», refere a Prisa em comunicado enviado ao regulador espanhol do mercado de capitais.

A Cofina desistiu de comprar a “TVI” após falhar a operação de aumento de capital, comunicou esta terça-feira a dona do “Correio da Manhã”, “Record” e revista “Sábado” à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários. A operação de oferta pública que permitiria o aumento de capital da Cofina no montante de 85 milhões de euros para financiamento da compra da TVI terminava esta terça-feira. Contudo, face à «deterioração das condições de mercado» e «não tendo sido verificada a condição de subscrição integral do aumento de capital, a oferta ficou sem efeito», pode ler-se no comunicado da Cofina. «Não se encontram reunidas as condições de que depende a conclusão do negócio de compra e venda das da Vertix (e indirectamente da Média Capital)», segundo a mesma informação divulgada pela CMVM.

Contactada pela “Lusa”, a dona da Media Capital disse que estava a «avaliar um novo cenário». «Quando houver novos desenvolvimentos, comunicá-lo-emos. Entretanto, não temos mais comentários a fazer sobre esta matéria.»

A Prisa e a Cofina assinaram, no ano passado, um contrato para que a primeira vendesse a Media Capital.

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Dono da Douro Azul «surpreendido»

O empresário Mário Ferreira, parceiro da Cofina na compra da Media Capital, manifestou «grande surpresa» com a decisão, garantindo não ter «sido consultado» e ter subscrito «todo o montante do capital» acordado. «Da minha parte cumpri com aquilo a que me comprometi, subscrevi todo o montante do capital que me pediram e me facultaram para subscrever. De facto, foi para mim uma grande surpresa», afirmou em declarações à agência “Lusa”.

Recordando ter sido «convidado pelo engenheiro Paulo Fernandes [presidente executivo da Cofina] para participar no aumento do capital com vista à aquisição da Media Capital», o dono da Douro Azul garante ter sido «agora surpreendido pelo cancelamento desse aumento».

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O grupo Cofina detém, além do “Correio da Manhã” e do “Record”, a “CMTV”, o “Jornal de Negócios”, a revista “Sábado”, entre outros títulos.

Por sua vez, a Media Capital conta com seis canais de televisão e a plataforma digital TVI Player. Além da “TVI”, canal generalista em sinal aberto, conta com a “TVI24”, “TVI Reality”, “TVI Ficção”, “TVI Internacional” e “TVI África”. Tem também rádios, nas quais se inclui a “Comercial”.

O Grupo Prisa, por sua vez, é a maior empresa de comunicação social espanhola e está presente em 22 países da Europa e da América, sendo dona, entre outros, de jornais como o “El País” ou o “Cinco Días”.

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