Príncipe saudita pressiona Trump para intensificar guerra contra o Irão

A informação é avançada pelo ‘The New York Times’, com base em fontes próximas de responsáveis americanos, num momento em que o conflito entra numa fase crítica e sem sinais claros de desescalada

Francisco Laranjeira

O príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman, terá pressionado Donald Trump a continuar e até intensificar a guerra contra o Irão, defendendo que o atual conflito representa uma “oportunidade histórica” para remodelar o Médio Oriente.

A informação é avançada pelo ‘The New York Times’, com base em fontes próximas de responsáveis americanos, num momento em que o conflito entra numa fase crítica e sem sinais claros de desescalada.

Segundo as mesmas fontes, Mohammed bin Salman terá defendido junto de Trump que o objetivo deve ser claro: enfraquecer decisivamente — ou mesmo derrubar — o regime iraniano.

Para Riade, o Irão representa uma ameaça estrutural e de longo prazo, que só pode ser eliminada com uma mudança profunda no poder em Teerão.

O líder saudita terá mesmo sugerido a possibilidade de operações mais agressivas, incluindo ataques a infraestruturas energéticas iranianas e até o envio de tropas para terreno.

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Divergências estratégicas com Israel

Apesar de partilharem a visão do Irão como ameaça central, Arábia Saudita e Israel divergem num ponto essencial.

Enquanto Israel poderá considerar aceitável um Irão fragilizado e mergulhado no caos interno, Riade teme precisamente esse cenário: um Estado falhado, com milícias descontroladas e ataques imprevisíveis, representaria um risco direto para a segurança saudita.

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Guerra ameaça economia global — e saudita

A escalada já está a ter efeitos económicos profundos.

Os ataques iranianos com drones e mísseis, em resposta à ofensiva dos EUA e de Israel, estão a perturbar o mercado petrolífero e a limitar o fluxo de energia através do Estreito de Ormuz — um ponto crítico por onde passa grande parte do petróleo do Golfo.

Mesmo com alternativas como oleodutos terrestres, a capacidade de contornar o bloqueio é limitada, o que aumenta a pressão sobre os preços e a estabilidade global.

Discurso público contrasta com bastidores

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Apesar destas informações, o governo saudita nega estar a pressionar pela continuação da guerra.

Em comunicado, Riade afirma apoiar uma solução pacífica e sublinha que a prioridade é defender o país dos ataques iranianos.

“A nossa principal preocupação é proteger a população e as infraestruturas civis”, referiu o governo, acusando Teerão de optar por uma escalada perigosa.

Trump entre recuo e escalada

Do lado americano, Donald Trump tem alternado entre sinais de desescalada e de intensificação do conflito.

Enquanto fala publicamente em negociações “produtivas”, fontes indicam que, nos bastidores, está a considerar operações mais arriscadas, como a tomada de infraestruturas energéticas estratégicas no Irão.

Um dilema estratégico

Para a Arábia Saudita, o dilema é claro: quer o fim da guerra, mas teme as consequências de um desfecho incompleto.

Se o conflito terminar sem enfraquecer significativamente o Irão, Riade receia ficar exposta a um adversário mais agressivo e determinado.

“Os responsáveis sauditas querem que a guerra acabe — mas a forma como acaba é decisiva”, sublinham analistas.

Um equilíbrio cada vez mais difícil

A guerra coloca também pressão interna sobre Mohammed bin Salman, que enfrenta desafios económicos significativos no ambicioso plano de transformação do país até 2030.

Um conflito prolongado pode afastar investidores, aumentar os custos energéticos e comprometer projetos estratégicos.

Ainda assim, para Riade, o risco de uma retirada prematura pode ser ainda maior.

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