Principal líder religioso e aliado de Putin pede aos russos que não tenham medo da morte depois do anúncio da mobilização

Patriarca Kirill justificou a invasão da Ucrânia por motivos espirituais e ideológicos

Francisco Laranjeira

O chefe da Igreja Ortodoxa russa, Patriarca Kirill, pediu aos cidadãos na passada quarta-feira que não tenham medo da morte, depois da decisão do presidente Vladimir Putin de mobilizar as tropas de reserva para lutar na Ucrânia.

“Vá, corajosamente, cumprir seu dever militar. E lembre-se que se der a sua vida pelo seu país, estará com Deus no seu reino, glória e vida eterna”, garantiu, durante um sermão no Mosteiro Zachatyevsky, em Msocovo. O líder religioso, que justificou a invasão da Ucrânia por motivos espirituais e ideológicos, apoiou a decisão de Putin. Para Kirill, uma pessoa “de verdadeira fé” não está sujeita ao medo da morte.

Uma pessoa torna-se “invencível” quando há uma “dimensão forte associada à eternidade” e deixa de ter medo da morte, revelou. “A fé torna uma pessoa muito forte, porque transfere a sua consciência da vida quotidiana, das preocupações materiais, para o cuidado da alma, para a eternidade”, frisou. “A saber, o medo da morte afasta um guerreiro do campo de batalha, empurra os fracos para a traição e até para se revoltar contra os seus irmãos. Mas a verdadeira fé destrói o medo da morte.”

O líder da Igreja Ortodoxa Russa considerou ainda que os ucranianos e russos são um só povo, e pediu aos russos que não considerassem os ucranianos como inimigos. O povo ucraniano “está em perigo”, acrescentando que agora “é muito importante que não haja sentimento nos corações de que há um inimigo”.

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