Primeiros casos importados de vírus semelhante ao Zika são detetados na Europa: mulheres grávidas em particular risco

Vírus Oropouche pode causar febre, dor de cabeça, náusea, vómitos e dores musculares e articulares, mas é particularmente perigoso para mulheres grávidas – pode levar a aborto espontâneo, problemas de desenvolvimento e deformidades para o feto, salientou o ECDC

Francisco Laranjeira

A agência de controlo de doenças da Europa alertou, esta sexta-feira, os turistas sobre os riscos — especialmente para mulheres grávidas — de viajar para áreas com altos casos de um vírus semelhante ao Zika depois de terem sido detetados os primeiros casos da doença na Europa.

Escolha a Executive Digest como fonte preferida no Google Escolher ›

Foram relatados 19 casos importados do vírus Oropouche (OROV) — uma doença zoonótica que se espalha para humanos a partir de mosquitos e moscas infetadas — em países da União Europeia entre junho e julho: em junho e julho: 12 na Espanha, cinco em Itália e dois na Alemanha. Todos estavam ligados a viagens recentes a Cuba e ao Brasil, alertou o ECDC (Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças).

O vírus Oropouche pode causar febre, dor de cabeça, náusea, vómitos e dores musculares e articulares, mas é particularmente perigoso para mulheres grávidas – pode levar a aborto espontâneo, problemas de desenvolvimento e deformidades para o feto, salientou o ECDC, acrescentando que isso “ainda está sob investigação”.

O Ministério da Saúde do Brasil fez soar o alarme em julho último, depois de quatro bebés terem nascido com microcefalia — cabeças menores do que o esperado. As respetivas mães estavam infetadas com o vírus.

Já o vírus Zika, que também é transmitido por mosquitos, é conhecido por causar deformações congénitas, incluindo microcefalia. Em 2015 e 2016, o Brasil registou mais de 3.500 casos de microcefalia infantil de uma estimativa de 1,5 milhão de pessoas infetadas num grande surto, relatou a revista ‘Science’.

Continue a ler após a publicidade
Continue a ler após a publicidade

Não há vacina ou medicamento para prevenir ou tratar o OROV. Embora a doença raramente seja fatal, o Brasil relatou recentemente as duas primeiras mortes do mundo pelo vírus, ambas mulheres na faixa dos 20 anos.

Desde janeiro, foram relatados mais de 8 mil casos na América do Sul, América Central e Caribe, com surtos relatados no Brasil, Bolívia, Colômbia, Peru e Cuba.

O ECDC disse que o risco de infeção para cidadãos europeus que viajam para as áreas epidémicas nas Américas é “avaliado como moderado”: mas a probabilidade de exposição humana na Europa continua muito baixa, já que os mosquitos e moscas que carregam o vírus estão ausentes no continente e não há casos documentados de transmissão de humano para humano até ao momento.

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.