O homem de Maryland que morreu sem causa clara dois meses depois de receber o primeiro transplante de um coração de porco geneticamente modificado pode ter sido vítima de um vírus de porco ligado à falha do transplante, segundo revelou o médico do paciente ao ‘MIT Technology Review’. David Bennett Sr., que tinha uma doença cardíaca em estágio terminal, recebeu o transplante interespécies a 7 de janeiro último no Centro Médico da Universidade de Maryland, em Baltimore – inicialmente parecia estar a responder bem antes de se deteriorar inesperadamente e acabar por morrer a 8 de março.
Bartley Griffith, cirurgião de transplante de Bennett, afirmou no entanto, durante uma iniciativa da Sociedade Americana de Transplantes que o coração estava infetado com citomegalovírus suíno, o que pode ter causado a morte de Bennett. O vírus, que pode causar sintomas respiratórios e complicações na gravidez entre os porcos, tem sido associado ao fracasso de transplantes de órgãos de porco para babuíno. “Se o vírus causou a morte de Bennett, isso representa um obstáculo que provavelmente pode ser superado em operações futuras”, apontou Griffith.
O porco foi criado pela empresa de biotecnologia Revivicor, que alterou o genoma do porco para reduzir o risco de o corpo de Bennett rejeitar o coração e evitar o crescimento excessivo de tecido após o transplante.
A possibilidade de um vírus suíno adaptar-se para infetar humanos depois de um transplante preocupou os investigadores, que esperam que os transplantes interespécies possam ajudar a resolver a terrível escassez de doadores de órgãos humanos. Devido ao risco de transmissão perigosa de doenças entre espécies, os recetores de transplantes de animais e os seus contactos pessoais – incluindo animais de estimação – devem ser verificados em intervalos regulares.













