Primeiro navio de carga da China atravessa o Ártico para entregar carros elétricos à Europa duas vezes mais rápido

Cargueiro “Istanbul Bridge” inaugurou uma nova rota comercial sobre o mundo, inteiramente sob controlo russo-chinês

Automonitor

A China inaugurou uma nova rota marítima através do Ártico, permitindo que navios de carga transitem diretamente entre o porto de Tianjin, no norte da China, e os portos europeus, relatou esta segunda-feira a publicação especializada ‘L’Automobile Magazine’. Esta rota reduz significativamente o tempo de transporte, permitindo que veículos elétricos sejam entregues na Europa em metade do tempo habitual.

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O cargueiro “Istanbul Bridge” inaugurou uma nova rota comercial sobre o mundo, inteiramente sob controlo russo-chinês. Um corredor tornado transitável pelo recuo espetacular do gelo: o Ártico aqueceu quatro vezes mais rápido do que a média global nos últimos 40 anos. Esta primeira travessia marca, portanto, um passo fundamental no plano chinês para contornar pontos de travessia ocidentais, como Suez ou o Estreito de Malaca. Uma estratégia logística… mas também, obviamente, política.

Partindo do porto de Ningbo-Zhoushan em 22 de setembro, o navio chegou a Felixstowe (Reino Unido) após apenas 20 dias no mar. Isso é duas vezes mais rápido que os navios de carga que transitam pelo Suez. A bordo: 4.000 contentores de baterias, painéis solares e peças para carros elétricos. De acordo com a ‘Sea Legend Line’, operadora do navio, essa viagem ajuda a reduzir as emissões de CO2 e, ao mesmo tempo, melhora as taxas de entrega. “As temperaturas mais baixas preservam melhor os componentes, e o mar mais calmo limita o risco de quebra”, explicou Li Xiaobin, diretor de operações. “O tempo de trânsito reduz o stock imobilizado em até 40%”, acrescenta o CEO Fang Yi.

A nova rota, conhecida como Rota do Mar do Norte, atravessa águas árticas e reduz o tempo de viagem de cerca de 40-50 dias para apenas 18 dias. Esta redução é possível devido ao derretimento do gelo no Ártico, tornando a navegação mais viável. Além disso, estima-se que esta rota possa reduzir as emissões de carbono em até 50% em comparação com rotas tradicionais.

Esta primeira viagem ocorre num momento crucial. As exportações chinesas para a Europa aumentaram 14% em relação ao ano anterior, enquanto as para os Estados Unidos caíram 27%. Para Pequim, o Velho Continente está a tornar-se a nova prioridade, um mercado a ser conquistado e mantido. Com esta rota do Ártico, a China aproxima assim fisicamente as suas fábricas dos seus clientes.

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Para Portugal, este desenvolvimento representa uma oportunidade significativa. A redução no tempo de transporte pode facilitar a importação de veículos elétricos e outros produtos da China, alinhando-se com os objetivos de sustentabilidade e inovação tecnológica do país. Além disso, a nova rota pode fortalecer as relações comerciais entre a China e os países da União Europeia, promovendo um comércio mais eficiente e sustentável.

Apesar dos benefícios, a navegação no Ártico apresenta desafios significativos. As condições climáticas extremas e a falta de infraestrutura adequada aumentam os riscos para a segurança das embarcações. Além disso, o aumento do tráfego marítimo no Ártico pode ter impactos ambientais negativos, afetando ecossistemas sensíveis e espécies marinhas.

A abertura desta rota marítima representa um passo importante na transformação das rotas comerciais globais. À medida que as condições climáticas continuam a mudar, outras rotas árticas, como a Rota Transpolar, podem tornar-se mais viáveis, oferecendo novas oportunidades e desafios para o comércio internacional.

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