Primeiro-ministro húngaro quer criar nova força política de direita na Europa

O primeiro-ministro da Hungria, o ultraconservador Viktor Orbán, avançou hoje que irá reunir-se em breve com outros políticos de direita da Polónia e de Itália para discutir a criação de uma nova força política nacionalista na Europa.

Executive Digest com Lusa

O primeiro-ministro da Hungria, o ultraconservador Viktor Orbán, avançou hoje que irá reunir-se em breve com outros políticos de direita da Polónia e de Itália para discutir a criação de uma nova força política nacionalista na Europa.

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Numa entrevista à rádio estatal húngara, citada pelas agências internacionais, o governante húngaro precisou que tem mantido contactos com o primeiro-ministro polaco, Mateusz Morawiecki, e com o antigo ministro do Interior italiano e líder do partido Liga Matteo Salvini, cujas forças políticas são aliadas ideológicas da União Cívica Húngara (Fidesz, direita conservadora e nacionalista) de Orbán.

“A Polónia, Itália e Hungria vão tentar reorganizar a direita europeia, e, em breve, estaremos juntos e iremos planear o futuro”, indicou o primeiro-ministro húngaro.

Esta entrevista de Orbán surge um dia depois do Fidesz ter abandonado o Partido Popular Europeu (PPE), a família política europeia de centro-direita, após vários anos de divergências sobre o respeito da Hungria pelas normas democráticas e pelo Estado de Direito.

“Chegou o momento de dizer adeus”, escreveu a secretária de Estado húngara para a Família, Katalin Novak, numa mensagem publicada na rede social Twitter, acompanhada por uma carta de desfiliação assinada pelo secretário internacional do Fidesz.

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O partido húngaro oficializou desta forma a rutura definitiva com a maior família política da União Europeia (UE).

No início de março, a formação de Viktor Orbán já se tinha retirado do grupo PPE no Parlamento Europeu, ao denunciar a aprovação de uma reforma dos estatutos.

Uma parte dos membros do PPE defendia há muito a exclusão do Fidesz, devido às tomadas de posição anti-Bruxelas do seu líder e às medidas consideradas atentatórias aos direitos fundamentais.

O PPE acusa Orbán de ter abandonado os princípios democráticos cristãos em favor de uma auto-designada “democracia iliberal”, enquanto o governante húngaro afirma que o PPE se tornou num “anexo da esquerda” em questões como as migrações e a soberania nacional.

O Fidesz lidera o governo húngaro com uma maioria quase ininterrupta desde 2010, mas o partido terá um importante desafio no próximo ano, quando terá de esgrimir as intenções de voto com seis partidos da oposição unidos nas eleições nacionais.

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Atualmente, os 11 representantes do Fidesz no Parlamento Europeu estão sem bancada e vários analistas têm vindo a especular que o partido de Orbán poderia aliar-se ao grupo dos Conservadores e Reformistas Europeus (ECR, direita nacionalista eurocética), ao lado dos eurocéticos polacos do partido Lei e Justiça (PiS), ou ao grupo Identidade e Democracia (ID, extrema-direita), anteriormente chamado Europa das Nações e das Liberdades, no qual a Liga de Salvini é membro.

No entanto, as declarações de hoje de Orbán sugerem que a intenção é criar de raiz uma nova força política de direita a nível europeu.

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