“Primeiro-ministro está refém do povo português”, aponta Marcelo, que negou ultimato a António Costa

Presidente da República não quis avançar as consequências de um possível abandono do primeiro-ministro antes do final do mandato

Francisco Laranjeira
Março 31, 2022
14:15

Marcelo Rebelo de Sousa, no Palácio de Belém, garantiu esta quinta-feira que António Costa está “refém do povo”. O presidente da República não quis avançar se sente que o líder do PS planeia não terminar o mandato como chefe do Executivo.

“O Presidente da República está lá para travar o risco de um poder absoluto, como existem outras garantias como a comunicação social, tribunais, opinião pública e outros organismos”, começou por referir Marcelo, abordando depois o papel de António Costa para o novo Governo que tomou esta quarta-feira posse.



“O primeiro-ministro ficou refém do povo português no voto do dia 30 de janeiro. É isso mesmo. O povo votou num partido e num homem, não votou só num partido. Portanto, esse homem ficou refém do povo. Foi isso que quis dizer no discurso e estamos de acordo que é essa a lição”, precisou. A possibilidade de António Costa abandonar o cargo de primeiro-ministro está no ar mas o Presidente da República tem outra leitura.

“Os portugueses votaram numa maioria absoluta e para um período de estabilidade para que esta resolvesse os problemas do país”, apontou, garantindo não ter sido um ultimato. “Não foi um ultimato, foi um ultimato do povo, não meu. O povo disse ‘queremos este partido e o senhor’, não queremos este ou aquele senhor. Tenho a certeza que o primeiro-ministro compreendeu a importância”, rematou. “Se o partido do Governo assume que o primeiro-ministro é refém do povo, assume que está a avançar para uma empreitada de quatro anos e meio.”

Para Marcelo, os discursos na cerimónia na tomada de posse do XXIII Governo Constitucional não afetam as relações entre São Bento e Belém. “A relação não sai beliscada, cada um fez o seu discurso. Repisou várias ideias minhas, sobre a guerra, as prioridades mais imediatas e a ideia de que uma maioria absoluta não é poder absoluto”, finalizou.

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