Primeiro-ministro de Israel diz que parar a guerra em Gaza seria como “deixar um quarto do exército nazi no local e não entrar em Berlim”

Netanyahu viu o apoio mundial à sua ofensiva após o ataque do Hamas em 7 de Outubro evaporar-se conforme sobe o número de mortos em Gaza, que já ultrapassa as 30 mil pessoas

Francisco Laranjeira

O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, estabeleceu a sua própria linha vermelha em Gaza, em resposta aos comentários do presidente americano Joe Biden. Recorde-se que o líder da Casa Branca instou Netanyahu a pensar duas vezes antes de lançar a próxima fase do seu ataque ao Hamas em Rafah, um dos últimos lugares onde os civis conseguiram abrigo na Faixa de Gaza.

‘Olha, é Israel ou o Hamas. Não há meio-termo. Quero dizer, temos de ter essa vitória”, indicou o primeiro-ministro israelita, em entrevista à ‘Fox News’. “Não podemos ter três quartos de vitória. Não podemos ter dois terços de vitória porque o Hamas irá reconstituir-se com estes quatro batalhões em Rafah, reconquistar a Faixa de Gaza e realizar o massacre de 7 de Outubro uma e outra vez. E para nós, Israel, não apenas para mim, mas para o povo de Israel, essa é uma linha vermelha. Não podemos deixar o Hamas sobreviver.”

Netanyahu viu o apoio mundial à sua ofensiva após o ataque do Hamas em 7 de Outubro evaporar-se conforme sobe o número de mortos em Gaza, que já ultrapassa as 30 mil pessoas, sendo que as agências humanitárias já alertaram que a fome está a tomar conta de uma população atingida por cinco meses de guerra.

Biden apoiou Netanyahu nos seus objetivos de guerra de destruir o Hamas, argumentando que um cessar-fogo apenas daria ao grupo uma oportunidade de se rearmar e reorganizar. No entanto, tem vindo a mudar de opinião: no passado sábado, alertou Netanyahu que a sua abordagem estava a minar os próprios interesses de Israel e definiu uma linha vermelha. “Netanyahu tem o direito de defender Israel, o direito de continuar a perseguir o Hamas”, explicou Biden, em entrevista à ‘MSNBC’.

‘Mas ele deve prestar mais atenção às vidas inocentes que estão a ser perdidas como consequência das ações tomadas. Está a prejudicar Israel mais do que ajudar Israel. Questionado se havia alguma “linha vermelha” para o seu apoio a Israel, como a invasão da cidade de Rafah, Biden foi claro: “É uma linha vermelha, mas nunca vou deixar Israel.”

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“Vamos fazer o que for necessário para minimizar as baixas civis, prestar ajuda humanitária, algo em que acreditamos, mas temos de destruir este exército terrorista nazi, caso contrário não haverá futuro para ninguém no Médio Oriente”, respondeu Netanyahu, prometendo ‘não tirar o pé do acelerador’. “Eles estão lá em Rafah. Isso seria equivalente a dizer que quando os Aliados reagiram, passaram pela Normandia, passaram pela Alemanha e diriam ‘deixaremos um quarto do exército nazi no local e não iremos para Berlim, a última fortaleza'”, finalizou.

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