Primeiro frente a frente em quase um ano: Lavrov e Rubio voltam a reunir-se para discutir a guerra na Ucrânia

Guerra na Ucrânia deverá dominar as conversações, juntamente com os chamados “acordos de Anchorage”, que Moscovo afirma terem resultado de contactos entre o presidente russo, Vladimir Putin, e o presidente americano, Donald Trump

Francisco Laranjeira

O ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Sergey Lavrov, e o secretário de Estado americano, Marco Rubio, vão reunir-se esta quinta-feira em Manila, nas Filipinas, à margem do fórum regional da ASEAN. Segundo o ‘Kyiv Post’, será o primeiro encontro presencial entre ambos desde setembro do ano passado.

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A guerra na Ucrânia deverá dominar as conversações, juntamente com os chamados “acordos de Anchorage”, que Moscovo afirma terem resultado de contactos entre o presidente russo, Vladimir Putin, e o presidente americano, Donald Trump.

Lavrov diz que Washington ainda não abandonou as suas propostas

Antes da reunião, Lavrov afirmou que a Rússia parte do princípio de que os Estados Unidos continuam a considerar válidas as propostas discutidas durante esses contactos.

O chefe da diplomacia russa adiantou ainda que pretende questionar Marco Rubio sobre as recentes declarações de Donald Trump, segundo as quais um eventual acordo para terminar a guerra estará agora mais próximo.

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Do lado americano, Rubio justificou a realização do encontro afirmando que, enquanto maiores potências nucleares do mundo, Estados Unidos e Rússia “não podem deixar de comunicar”, apesar das profundas divergências provocadas pela invasão da Ucrânia.

Kremlin endurece posição antes das conversações

O encontro acontece numa altura em que Moscovo aparenta adotar uma posição ainda mais inflexível.

De acordo com a agência ‘Bloomberg’, citada pelo ‘Kyiv Post’, o Kremlin terá abandonado a hipótese de uma troca de territórios com Kiev e pretende manter as áreas ocupadas nas regiões ucranianas de Sumy e Kharkiv como uma zona tampão.

A mesma informação indica que Vladimir Putin continua convencido de que as forças russas poderão conquistar toda a região de Donbass até ao final de 2026, embora fontes ligadas ao Ministério da Defesa russo considerem esse objetivo demasiado otimista e apontem antes para 2027.

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Moscovo acusa Washington de incumprimento

Nas últimas semanas, Lavrov intensificou igualmente as críticas aos Estados Unidos, acusando Washington de não cumprir os compromissos assumidos durante os contactos diplomáticos anteriores.

O ministro russo afirmou ainda que Moscovo já não considera os Estados Unidos um mediador imparcial e sugeriu que as conversações realizadas no Alasca poderão ter servido apenas para dar tempo ao Ocidente para reforçar o apoio militar à Ucrânia.

Apesar do agravamento da retórica entre os dois países, o encontro em Manila representa uma das raras oportunidades de diálogo direto entre Moscovo e Washington numa fase em que as perspetivas para um cessar-fogo continuam a ser incertas.

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