O ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Sergey Lavrov, e o secretário de Estado americano, Marco Rubio, vão reunir-se esta quinta-feira em Manila, nas Filipinas, à margem do fórum regional da ASEAN. Segundo o ‘Kyiv Post’, será o primeiro encontro presencial entre ambos desde setembro do ano passado.
A guerra na Ucrânia deverá dominar as conversações, juntamente com os chamados “acordos de Anchorage”, que Moscovo afirma terem resultado de contactos entre o presidente russo, Vladimir Putin, e o presidente americano, Donald Trump.
Lavrov diz que Washington ainda não abandonou as suas propostas
Antes da reunião, Lavrov afirmou que a Rússia parte do princípio de que os Estados Unidos continuam a considerar válidas as propostas discutidas durante esses contactos.
O chefe da diplomacia russa adiantou ainda que pretende questionar Marco Rubio sobre as recentes declarações de Donald Trump, segundo as quais um eventual acordo para terminar a guerra estará agora mais próximo.
Do lado americano, Rubio justificou a realização do encontro afirmando que, enquanto maiores potências nucleares do mundo, Estados Unidos e Rússia “não podem deixar de comunicar”, apesar das profundas divergências provocadas pela invasão da Ucrânia.
Kremlin endurece posição antes das conversações
O encontro acontece numa altura em que Moscovo aparenta adotar uma posição ainda mais inflexível.
De acordo com a agência ‘Bloomberg’, citada pelo ‘Kyiv Post’, o Kremlin terá abandonado a hipótese de uma troca de territórios com Kiev e pretende manter as áreas ocupadas nas regiões ucranianas de Sumy e Kharkiv como uma zona tampão.
A mesma informação indica que Vladimir Putin continua convencido de que as forças russas poderão conquistar toda a região de Donbass até ao final de 2026, embora fontes ligadas ao Ministério da Defesa russo considerem esse objetivo demasiado otimista e apontem antes para 2027.
Moscovo acusa Washington de incumprimento
Nas últimas semanas, Lavrov intensificou igualmente as críticas aos Estados Unidos, acusando Washington de não cumprir os compromissos assumidos durante os contactos diplomáticos anteriores.
O ministro russo afirmou ainda que Moscovo já não considera os Estados Unidos um mediador imparcial e sugeriu que as conversações realizadas no Alasca poderão ter servido apenas para dar tempo ao Ocidente para reforçar o apoio militar à Ucrânia.
Apesar do agravamento da retórica entre os dois países, o encontro em Manila representa uma das raras oportunidades de diálogo direto entre Moscovo e Washington numa fase em que as perspetivas para um cessar-fogo continuam a ser incertas.














