O primeiro ano do segundo mandato de Donald Trump ficou marcado por uma das suas decisões mais controversas: a imposição de uma guerra comercial global. A 2 de abril último, os EUA anunciaram tarifas massivas sobre praticamente todos os países, invertendo décadas de abertura comercial. Especialistas e economistas consideram que, apesar do impacto, a situação poderia ter sido bem pior.
Segundo os analistas, de acordo com o ‘El Economista’, a expectativa de uma segunda “era de ouro” para a economia americana, baseada na reindustrialização, contrastou com previsões de colapso económico e crise inflacionária. Na prática, os efeitos das tarifas ficaram aquém do temido: os EUA evitaram as consequências mais catastróficas, mas os ganhos também foram limitados.
As tarifas, impostas de forma abrupta, estabeleceram uma taxa mínima de 15% para todos os países e níveis superiores para os principais parceiros comerciais, como a China, que retaliou com aumentos até 145%. Contudo, ao longo do ano, várias isenções e ajustes reduziram o impacto real: México, Canadá, parte dos produtos farmacêuticos, smartphones e energia ficaram fora das taxas, mantendo grande parte das importações sem tributação direta.
Especialistas destacam que a política tarifária americana sofreu ainda reversões para proteger setores específicos, como o café e outros produtos alimentares. O chamado “Efeito TACO” (‘Trump sempre recua’) evitou que os preços atingissem os valores mais elevados anunciados inicialmente.
Apesar de as tarifas terem limitado a pressão inflacionária, os consumidores sentiram o impacto no bolso. Segundo o Instituto Peterson, o custo anual médio para uma família americana foi de cerca de 1.700 dólares, especialmente em alimentos, roupas e carros. A inflação manteve-se em torno de 3%, acima da meta do Federal Reserve, mas longe de níveis descontrolados.
O objetivo de Trump de revitalizar a indústria americana enfrenta obstáculos estruturais. A deslocalização massiva da produção e a automação, impulsionada pela Inteligência Artificial, dificultam a criação de empregos manufatureiros tradicionais. Mesmo com crescimento do PIB anualizado de 4,3% no terceiro trimestre, o emprego estagnou e o setor industrial continua a enfrentar dificuldades.
Para economistas, o maior impacto das tarifas não foi económico, mas simbólico. Ao adotar uma política de isolamento comercial, os Estados Unidos enviaram uma mensagem clara sobre o enfraquecimento do livre comércio e da globalização como destino inevitável para a economia mundial.














