Primeiras estirpes de coronavírus em Itália (afinal) não vieram da China, revela novo estudo

Os cientistas italianos analisaram mais de 300 amostras de sangue de pacientes com Covid-19 e rastrearam a origem das estirpes virais por alterações nos seus genes.

Sónia Bexiga

As primeiras estirpes do novo coronavírus que se espalharam na região da Lombardia, em Itália não vieram diretamente da China, de acordo com um novo estudo, avançam agências internacionais, citando a pesquisa de um grupo de investigadores de Milão.

Os cientistas italianos analisaram mais de 300 amostras de sangue de pacientes com Covid-19 e rastrearam a origem das estirpes virais por alterações nos seus genes, especificamente na região da Lombardia entre os passados meses de fevereiro e abril.

De entre os principais resultados obtidos nesta pesquisa, os investigadores salientam, num artigo ainda por rever pelos seus pares e publicado esta segunda-feira no ‘medRxiv.org’, a descoberta de que a variante do coronavírus observada é frequente nos países europeus, como nos Países Baixos, Suíça e França, mas raramente é detetada na China.

Recorde-se que a Itália foi o primeiro país do mundo a impedir todos os voos da China após o despoletar do surto da Covid-19, em dezembro de 2019. Contudo, o sequenciamento do genoma sugere “uma cadeia de transmissão que não envolve diretamente a China”, frisam os cientistas liderados pelo professor Carlo Federico Perno, da Universidade de Milão.

A equipa detalhou ainda que foi analisado todo o sequenciamento dos genomas de 371 amostras recolhidas de 371 pacientes com sintomas de doença, em níveis que variaram do leve ao grave e residentes em todas as 12 províncias da Lombardia, que foram afetados no primeiro surto conhecido no Ocidente e representaram mais de um terço dos casos Covid-19 em Itália.

Continue a ler após a publicidade

O estudo constatou então que as estirpes pertencem a duas linhagens separadas, cada uma desempenhando um papel dominante em algumas províncias, mas “não continham estirpes virais isoladas nos primeiros meses do surto na China”.

Podem ter ocorido “múltiplas introduções” do coronavírus na região da Lombardia, admitem ainda os investigadores, acrescentando que essas estirpes formaram aglomerados relativamente isolados em diferentes áreas. Os vírus podem ter vindo da Europa Central, onde estirpes com mutações semelhantes foram detetadas, de acordo com o estudo.

O artigo sugere ainda que essas estirpes podem ter entrado na Itália na segunda quinzena de janeiro, um mês antes do primeiro caso Covid-19 ser encontrado em Codogno, Lombardia, a 20 de fevereiro.

Continue a ler após a publicidade

O estudo italiano é apenas um dos vários em todo o mundo que já descobriram as estirpes do coronavírus que não foram encontradas na China. Já em maio, um estudo do Instituto Pasteur em Paris declarou que o surto em França não tinha ligação direta com a China.

Num outro relatório, divulgado esta segunda-feira, o Instituto Skolkovo de Ciência e Tecnologia (Skoltech) confirmou que houve pelo menos 67 estirpes do coronavírus a espalhar-se em diferentes cidades russas entre o final de fevereiro e o início de março.

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.