Primeira-ministra dinamarquesa alerta que a NATO “acabará” se Trump avançar sobre a Gronelândia

A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, advertiu esta segunda-feira que a NATO deixará de existir caso os Estados Unidos avancem militarmente para a anexação da Gronelândia, território autónomo dinamarquês no Ártico.

Pedro Zagacho Gonçalves

A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, advertiu esta segunda-feira que a NATO deixará de existir caso os Estados Unidos avancem militarmente para a anexação da Gronelândia, território autónomo dinamarquês no Ártico. Em declarações à estação televisiva dinamarquesa TV2, a chefe do Governo afirmou que uma agressão desse tipo colocaria um ponto final na Aliança Atlântica e na arquitetura de segurança construída desde o fim da Segunda Guerra Mundial.

Escolha a Executive Digest como fonte preferida no Google Escolher ›

Frederiksen sublinhou que as intenções expressas pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, devem ser levadas a sério. “Donald Trump deve ser levado a sério quando diz que quer a Gronelândia”, afirmou, acrescentando, contudo, que uma eventual acção militar teria consequências irreversíveis. “Se os Estados Unidos optarem por atacar militarmente outro país da NATO, então tudo pára, incluindo a própria NATO e, com isso, a segurança que foi estabelecida desde o final da Segunda Guerra Mundial”, declarou.

Donald Trump voltou recentemente a intensificar a retórica em torno da Gronelândia, uma ilha rica em recursos minerais, estrategicamente localizada no Árctico, que goza de larga autonomia mas integra o Reino da Dinamarca e, por essa via, a NATO. O Presidente norte-americano tem defendido repetidamente que o território deveria passar para controlo dos Estados Unidos, classificando essa hipótese como uma “necessidade estratégica”.

No domingo, a bordo do avião presidencial Air Force One, Trump insistiu que a Gronelândia é essencial para a segurança nacional norte-americana. “Precisamos da Gronelândia por razões de segurança nacional”, afirmou aos jornalistas, sem excluir o recurso à força ou a mecanismos de coerção económica para atingir esse objectivo.

O Presidente norte-americano acrescentou ainda que o tema terá desenvolvimentos a curto prazo. “Vamos tratar da Gronelândia dentro de cerca de dois meses. Vamos falar da Gronelândia daqui a 20 dias”, disse, sem avançar quaisquer detalhes adicionais sobre o que poderá acontecer nesse período.

Continue a ler após a publicidade
Continue a ler após a publicidade

Temores reforçados após operação dos EUA na Venezuela

As mais recentes declarações de Trump surgem poucos dias depois de os Estados Unidos terem lançado ataques militares na Venezuela e detido o Presidente Nicolás Maduro, numa operação que teve forte impacto internacional. A intervenção norte-americana alimentou receios na Europa de que Washington se possa sentir encorajado a avançar com acções unilaterais semelhantes noutros pontos sensíveis do mapa geopolítico.

No contexto destas preocupações, vários líderes europeus, desde os países nórdicos até ao Reino Unido, manifestaram apoio a Copenhaga e reafirmaram o direito da Gronelândia à autodeterminação, sublinhando que qualquer alteração ao estatuto do território deve respeitar o direito internacional e a vontade da sua população.

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.