Primeira fase do Desconfinamento: Quase 90% dos portugueses esteve em circulação esta semana

Há mais pessoas na rua, a deslocarem-se mais, para maiores distâncias, durante mais tempo e a saírem com maior frequência de casa. Covid-19: Mais de 70% da população que circulava no período pré-pandemia está de novo em ação

Simone Silva

Em tempo de desconfinamento, mas ainda com algumas restrições em vigor, cerca de 62% dos portugueses saíram à rua todos os dias, com o índice de mobilidade a fixar-se agora em 87%. As conclusões são da consultora PSE.

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Nuno Santos, especialista em análise de dados da empresa, revela à Executive Digest que «o desconfinamento veio trazer um acelerar da mobilidade muito significativo».

Segundo o responsável, se no pico do confinamento, já depois do fecho das escolas, «conseguimos ter um índice de mobilidade de 60% da normalidade, ou seja uma redução de 40%», a realidade agora é outra.

«Atualmente, existe apenas uma redução de 13% da mobilidade, o que significa que temos um índice de mobilidade de 87%». Mas este número «já tocou os 89%» durante a semana, sublinha.

«Agora, na primeira etapa do desconfinamento, temos mais pessoas na rua, a deslocarem-se mais, para maiores distâncias, durante mais tempo e a saírem com maior frequência de casa», explica.

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O especialista estima ainda que «na próxima fase do desconfinamento, o índice vai atingir valores que podem ultrapassar os 100%», sublinhou.

Em média 62% das pessoas saem todos os dias

Antes de entrarmos em confinamento, quando ainda não haviam restrições, 66% das pessoas circulavam na rua todos os dias, um valor que atualmente é de 62%, ou seja, houve apenas uma redução de quatro pontos quando comparados os dois valores, segundo Nuno Santos.

O mesmo se aplica à percentagem inversa, isto é, de pessoas em confinamento. Antes de ser adotada qualquer restrição à mobilidade, cerca de 33% das pessoas ficavam em casa, agora, ainda com algumas medidas em vigor, apenas 38% dos portugueses permanecem em casa. «Se compararmos, só estamos quatro ou cinco pontos acima», adianta o especialista.

Há mais pessoas na rua agora do que quando as escolas estavam abertas 

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Durante o confinamento, só um terço da população é que saía de casa todos os dias durante a semana, agora «temos níveis de confinamento inferiores aos da primeira fase de janeiro», numa altura em que as escolas ainda estavam todas abertas.

Segundo Nuno Santos, atualmente, e com a maioria das escolas fechadas, verifica-se uma maior mobilidade por vários fatores, que estão relacionados com a retoma de alguns setores de atividade, que antes estavam parados.

«Nessa primeira fase do confinamento, mesmo com as escolas abertas, tínhamos mais pessoas em casa do que atualmente e isto tem a ver com o facto de que agora abriram não só as instituições de ensino até ao primeiro ciclo, mas também um conjunto de atividades económicas», esclarece.

Grandes cidades vs periferias 

A mobilidade dos portugueses aumentou mais à volta dos grandes centros urbanos, explica Nuno Santos. «A mobilidade com o desconfinamento aumentou muito mas as pessoas hoje têm uma mobilidade mais heterogénea, temos um misto de tudo. Grande parte da população já não tem as rotinas de segunda à sexta que tinham e os destinos de deslocação estão completamente alterados», afirma.

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«Com o desconfinamento houve em todas as regiões um aumento de circulação, mas onde aumentou mais não foi nas grandes cidades, foi nas periferias, o que mostra o quão heterogénea é hoje a mobilidade», indica. «Não foi tudo a correr para o centro da cidade, houve um maior aumento nos arredores», esclarece.

Páscoa com redução «temporária» da mobilidade

A Páscoa, com as medidas em vigor, vai ter uma redução da mobilidade, «mas vai ser temporário porque depois vamos voltar a ter exatamente o mesmo quadro que temos atualmente», refere Nuno Santos, sublinhando que ainda «é prematuro» estimar de quanto será essa redução.

«Olhando para o comportamento dos portugueses quando se deparam com intervalos de quatro, cinco dias de restrições, nos dias que antecedem essas medidas a mobilidade aumenta muitíssimo, parte da população até faz deslocações para fora das suas zonas de residência», indica. «Depois nos dias de restrições reduz-se a mobilidade e assim que são levantadas esta volta a aumentar bastante», acrescenta.

De acordo com o responsável, «se o comportamento esperado se vier a verificar, vão existir provavelmente segmentos da população que vão antecipar estas restrições e fazer deslocações para fora nos próximos dois dias».

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