Previsões do cenário pós-conflito na Ucrânia são um “desafio grande ao crescimento no médio prazo”, diz Mário Centeno

Na conferência de imprensa depois da divulgação do boletim de março do Banco de Portugal (BdP), o Governador do Banco de Portugal, Mário Centeno, disse que as previsões do cenário adverso, o de pós-conflito na Ucrânia, “coloca um desafio grande ao crescimento no médio prazo”.

Mariana da Silva Godinho

Na conferência de imprensa depois da divulgação do boletim de março do Banco de Portugal (BdP), o Governador do Banco de Portugal, Mário Centeno, disse que as previsões do cenário adverso, o de pós-conflito na Ucrânia, “coloca um desafio grande ao crescimento no médio prazo”.

“O PIB nesse cenário adverso cresce 3,6% e a inflação tem uma variação muito significativa em alta para 5,9% em 2022”, explica Mário Centeno.



O responsável explicou que este desafio é impulsionado pelas cadeias muito próximas de zero ao longo do ano de 2022, sendo que muitas serão mesmo negativas em alguns trimestres o que vai fazer com que o crescimento de médio prazo, ou seja, em 2023, seja um grande desafio, sendo também difícil datar um cenário que ainda não aconteceu, o final do conflito.

Para o Governador do Banco de Portugal, o principal canal de transmissão deste cenário é o preço dos bens energéticos, petróleo e gás, pois “os setores com elevado consumo energético ainda não recuperaram os níveis de faturação de 2019, o que significa que há uma sobreposição bastante significativa entre os setores quer sofreram mais com a pandemia e os setores que do ponto de vista da intensidade energética tenderão a ser dos mais afetados”.

O outro canal de transmissão são as trocas comerciais diretas ou indiretas. Mário Centeno considera que os efeitos indiretos são mais negativos pois “as ligações diretas são muito limitadas, o peso do comércio de bens com a Rússia e com a Ucrânia tem uma dimensão muito contida em Portugal mas os efeitos indiretos que se geram a partir de parceiros comerciais relevantes são mais significativos e podem ter um impacto maior”.

No entanto, alerta que “ainda assim é expectável que a recuperação da economia no pós-conflito militar possa ser mais clara e significativa do que aconteceu no contexto da pandemia”.

No cenário normal de projeções, o BdP prevê que a inflação suba para 4% este ano, 2,2 pontos percentuais acima dos 1,8% previstos anteriormente, e no pior dos casos poderia chegar aos 5,9%, segundo o boletim económico hoje divulgado. De acordo com o boletim económico de março, no cenário central, a instituição estima que a inflação aumente em 2022 para 4%, antes de se reduzir para 1,6% em 2023 e 2024.

“O aumento da inflação em 2022 está associado à subida do preço das matérias-primas, energéticas e outras, e à manutenção de constrangimentos nas cadeias de abastecimento globais”, explica o regulador bancário.

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