Prevenir a próxima pandemia custa apenas 2% dos prejuízos económicos da Covid-19

O mundo deve agir agora para proteger a vida selvagem, a fim de impedir futuras crises de vírus, dizem cientistas.

Sónia Bexiga

O custo da prevenção de novas pandemias na próxima década, protegendo a vida selvagem e as florestas, é o equivalente a apenas 2% dos prejuízos financeiros estimados com o impacto causado pela Covid-19, de acordo com uma nova análise elaborada pela Universidade de Princeton, nos EUA.

Segundo apuraram os investigadores, por ano, dois novos vírus espalharam hospedeiros da vida selvagem para os seres humanos no último século, fruto da crescente destruição da natureza, o que significa que o risco hoje é maior do que nunca, noticia o ‘The Guardian’.

Com base nos resultados obtidos, os cientistas frisam agora que era vital reprimir o comércio internacional de vida selvagem e a destruição de florestas. Ambos os cenários colocam a vida selvagem em contacto com as pessoas e os seus animais. Atualmente, porém, esses esforços são severamente subfinanciados, advertem os especialistas.

Os cálculos que agora apresentam apontam para a necessidade de gastar cerca de 260 mil milhões de dólares, em 10 anos, para reduzir substancialmente os riscos de outra pandemia na mesma escala do surto do novo coronavírus, o que representa apenas 2% dos custos estimados em 11,5 mil milhões de dólares com a Covid-19 para a economia global.

Além disso, os gastos com a vida selvagem e a proteção das florestas seriam quase anulados por outro benefício da ação: reduzir as emissões de dióxido de carbono que impulsionam a crise climática.

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Assim, os cientistas apelam para se avance com programas como a regulamentação do comércio de animais selvagens: a vigilância e o controlo de doenças em animais selvagens e domésticos, encerrando o comércio de carne brava na China e cortando o desmatamento em 40% em lugares fulcrais.

Aliás, os cientistas evidenciam a ligação clara entre o desmatamento e o surgimento de vírus, com os morcegos das florestas a revelarem-se prováveis ​​reservatórios dos vírus Ebola, Sars e Covid-19, enquanto as florestas tropicais se assumem como a “principal plataforma de lançamento” para novos vírus que infetam seres humanos.

“É ingénuo pensar na pandemia da Covid-19 como um evento único no século”, disse Andrew Dobson, da Universidade de Princeton, nos EUA, que liderou a análise. “Como qualquer coisa que estamos a fazer com o meio ambiente, os vírus estão a chegar cada vez mais rápido, assim como as mudanças climáticas”.

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O responsável pelo Meio Ambiente da ONU recebeu bem esta análise e já fez saber que “a ciência não poderia ser mais clara”, disse Inger Andersen. “Como emergimos no lado da recuperação da Covid-19, não podemos permitir uma abordagem fragmentada para combater doenças [da vida selvagem]. Independentemente da conta final [do coronavírus], podemos dizer com certeza que a ação agora permitirá economizar biliões em custos futuros e evitará o um tremendo sofrimento que continuamos a ver em todo o mundo”.

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