Prestação da casa volta a subir em maio até…300 euros. E subida dos juros ainda não acabou

Segundo o Banco de Portugal, a Euribor a 12 meses já representa 43% do ‘stock’ de empréstimos para habitação própria permanente com taxa variável: pelo que, se o seu contrato for revisto em maio, pode esperar mais um rombo no orçamento, uma vez que a prestação da casa vai subir quase 300 euros, se tiver um contrato a 12 meses

Francisco Laranjeira

As taxas Euribor têm registado uma tendência crescente, o que tem causado imensas dificuldades às famílias portuguesas: o aumento das prestações mensais às instituições bancárias tem sido constante nos últimos meses e para maio as notícias prometem ser mais uma dor de cabeça. Em particular na taxa Euribor a 12 meses, atualmente é a mais utilizada em Portugal nos créditos à habitação com taxa variável, que se fixou esta quarta-feira em 3,858%.

Segundo o Banco de Portugal, a Euribor a 12 meses já representa 43% do ‘stock’ de empréstimos para habitação própria permanente com taxa variável: pelo que, se o seu contrato for revisto em maio, pode esperar mais um rombo no orçamento, uma vez que a prestação da casa vai subir quase 300 euros, se tiver um contrato a 12 meses, segundo revelou à ‘Executive Digest’ a DECO Proteste.

Vamos a números:

Tomemos como exemplo um empréstimo de 150 mil euros a 30 anos, com um spread (margem comercial do banco) de 1%:

– se o empréstimo tem como indexante a Euribor a 12 meses: a prestação que vai pagar nos próximos 12 meses irá subir para 781,12 euros, mais 297,76 euros (61,6%) em relação à prestação que pagou no último ano (483,36 euros).

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– Já se o indexante for de 6 meses, prepare-se para entregar ao banco 759,23 euros, uma subida de 20,1% (127,07 euros) face a novembro de 2022, quando a prestação situava-se nos 632,16 euros.

– por último, se tiver um contrato a 3 meses: a taxa Euribor média é de 3,165% (valor da taxa média Euribor em abril), o que significa um aumento da sua prestação de 10,56%: sobe de 660,66 para 730,46 euros, mais 69,8 euros.

“Pico vai acontecer no último trimestre de 2023”

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Para Nuno Rico, especialista em assuntos financeiros da DECO PROTESTE, a tendência de subida das taxas de juro não vai ser quebrada num futuro próximo. “Não há qualquer alteração do contexto, pelo que as taxas de juro vão continuar a crescer até ao último trimestre de 2023, ao contrário do que disse o governador do Banco de Portugal, Mário Centeno, que previu um pico neste verão”, relatou, à ‘Executive Digest’.

“Embora as subidas não sejam com tanta gravidade”, precisou o especialista, que sublinhou que “se não houver alteração do contexto que vivemos, após o pico não se espera uma queda significativa [à semelhança do sucedido em 2008] dos valores, que depois deverão estabilizar entre os 2,5 e 3%”.

Por isso, apontou, urge a ação do Governo. “Nesse propósito, apresentámos uma carta aberta ao Parlamento para diversas medidas que consideramos essenciais. As medidas apresentadas no programa Mais Habitação são muito pouco significativas e não respondem às dificuldades dos portugueses”, explicou Nuno Rico, que destacou que o proposto é “limitar a subida dos juros a 3% relativamente ao contrato inicial e diferir o capital dos empréstimos, que permitirá aos consumidores terem prestações constantes nos seus créditos de habitação própria permanente”.

Recorde-se que as Euribor começaram a subir mais significativamente desde 4 de fevereiro de 2022, depois de o Banco Central Europeu (BCE) ter admitido que poderia subir as taxas de juro diretoras este ano devido ao aumento da inflação na zona euro – tendência que foi reforçada com o início da invasão da Ucrânia pela Rússia em 24 de fevereiro de 2022.

As taxas Euribor a três, a seis e a 12 meses registaram mínimos de sempre, respetivamente, de -0,605% em 14 de dezembro de 2021, de -0,554% e de -0,518% em 20 de dezembro de 2021. As Euribor são fixadas pela média das taxas às quais um conjunto de 57 bancos da zona euro está disposto a emprestar dinheiro entre si no mercado interbancário.

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O impacto da subida das Euribor vai ser maior ou menor consoante o valor do capital que ainda está em dívida. O consumidor deve utilizar o simulador do crédito à habitação, disponibilizado pelo Banco de Portugal, para calcular o valor da prestação mensal e ajustar o seu orçamento familiar.

DECO PROTESTE desafia Governo a travar subida da prestação do crédito à habitação

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