Presidente da CIP: “Teletrabalho só será obrigatório nas empresas que estejam em concelhos de risco”

O Presidente da CIP, António Saraiva, diz que o teletrabalho não vai ser obrigatório “em qualquer tipologia ou em qualquer situação até ao final do ano. Sê-lo-á, após o estado de emergência, em concelhos onde o contágio seja superior aos rácios que a direção geral de saúde determinou”, afirma em entrevista à Antena 1 e ao Jornal de Negócios.

Segundo o responsável, “não teria base legal se o governo cegamente mantivesse até ao final do ano, independentemente de estarmos ou não em estado de emergência, a obrigatoriedade do teletrabalho, por isso, o que o governo fez foi outra coisa”.

E explica: “enquanto nos mantivermos em estado de emergência, ele é obrigatório, quando deixarmos de estar – e seguramente deixaremos de estar dentro de 15 dias, um mês no máximo em estado de emergência – ele só será obrigatório nas empresas que estejam parqueadas em concelhos de risco elevado e só nessas situações e nesses concelhos é que é obrigatório”.

“Pode dar-se o caso de termos empresas com instalações em concelhos diversos e com regras diferentes. Enfim, é uma complexidade administrativa que temos de suportar, obviamente que tem refugio de compreensão no estado pandémico em que nos encontramos e para combater a pandemia e salvaguardar a saúde pública, mas mais uma vez tem de haver aqui alguma racionalidade, alguma adaptabilidade”, continua.

O presidente da CIP diz que não se opõe que assim seja “até porque o teletrabalho nalgumas situações e de comum acordo, quando possível, até é benéfico, o que não podemos cair é nalguma demagogia ou populismo de querer que os trabalhadores em teletrabalho tenham compensações de gastos de eletricidade, de água, de internet, porque estamos a criar absurdos. Imagine que marido e mulher estão em casa em teletrabalho, são de empresas diferentes, como é que se vai aferir o delta de acréscimo do marido e da mulher na empresa A ou na empresa B?”, questiona.

Nesta questão, António Saraiva aponta o dedo aos sindicatos: “Têm vindo numa senda de exigências como se o país estivesse numa situação ideal, em que a crise pandémica também não nos afeta da maneira como nos está a afetar e vêm com pedidos absurdos e uma enorme falta de sensatez. Temos de ser justos e equilibrados e temos de encontrar de comum acordo a vantagem das duas partes, porque os trabalhadores também não têm gastos de transporte e não têm um conjunto de gastos”.

Por último, o responsável diz que defende o teletrabalho: “veio para ficar, traz um conjunto de benefícios àquelas tipologias de postos de trabalho que a ele têm recorrido com vantagens, mas temos de ser equilibrados e moderados e sensatos na sua utilização, quer as empresas, quer os colaboradores”, conclui.

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