João Vieira Lopes, presidente da Confederação do Comércio de Portugal, considera que não existe tempo suficiente para que as medidas de apoios às empresas, decretadas pelo Governo, produzam efeitos já no pagamento dos salários de Abril, de acordo com a RTP.
O Governo português prepara-se para permitir o lay off imediato às empresas que encerraram a actividade por decisão administrativa ou legislativa, bem como para alargar as linhas de crédito ao comércio. Apesar disso, João Vieira Lopes não acredita que tais medidas sejam postas em prática a tempo, facto que faz com que as empresas não consigam pagar os salários. «O mês de Abril é um grande drama», afirma o responsável citado pela RTP.
Também Luís Miguel Ribeiro, presidente da Associação Empresarial de Portugal (AEP), partilha da mesma opinião, apelando a que exista agilidade na implementação das medidas. Relativamente às linhas de crédito, o responsável sublinha que se por um lado, os bancos estão a trabalhar com menos efectivos, o que faz com que a apreciação demore mais tempo, por outro lado, os critérios de aferição para a atribuição do crédito continuam a ser os mesmos o que significa esperar um mês.
No que diz respeito ao lay off, para evitar que mais empresas deixem de pagar salários, Luís Miguel Ribeiro, considera essencial que se produzam efeitos imediatos, já a partir de Março, o que não significa que tenham de ser «retroactivos, basta que para efeitos de atribuição do lay off seja considerada a data da verificação do facto e não a data da apresentação do requerimento», sublinhando que o documento ainda não existe.
A área do comércio e serviços em Portugal emprega um milhão e 700 mil trabalhadores e destes apenas 200 mil estão no sector alimentar que, ainda assim, segundo Vieira Lopes, é o que está a ter menos problemas.
João Vieira Lopes, concorda com o compromisso do Governo em permitir que as empresas que tenham sido encerradas por decisão administrativa ou legislativa, possam ter acesso imediato ao mecanismo do lay off. O presidente da CCP considera ainda útil que possa existir lay off com redução do horário de trabalho e lay off só para uma parte da empresa, ainda que considere que apesar de todas as medidas serem positivas, não vão chegar para travar o encerramento de empresas.
Já o presidente da AEP lembra que «muitas empresas estavam numa fase de investimento» e outras ainda estão muito endividadas não podendo recorrer novamente a créditos. Desta forma, Luís Miguel Ribeiro defende que mais do que adiar o pagamento de rendas ou impostos, o Governo «devia eliminar temporariamente algumas obrigações fiscais».





