O presidente da África do Sul defendeu hoje que a ONU está “sem forças” e “não pode continuar a funcionar como no passado”, apelando à sua reforma e à inclusão de países africanos ou sul-americanos no Conselho de Segurança.
Num discurso na Mobilização Progressista Global, uma reunião que está a juntar vários líderes da esquerda mundial em Barcelona, Cyril Ramaphosa afirmou que se estão a viver “tempos de agressão, de guerra, de conflito, violações básicas dos direitos humanos” e avisou que as organizações internacionais estão a ser propositadamente enfraquecidas.
“A ONU tornou-se uma organização sem força, porque os membros do Conselho de Segurança são precisamente quem continua a violar todas as leis”, alertou.
Por isso, o Presidente da África do Sul defendeu que os progressistas devem “manter-se firmes quanto à necessidade de se reformarem as organizações”, em particular as Nações Unidas.
“A ONU não pode continuar a funcionar como no passado. Temos muitos países que deveriam estar representados no Conselho de Segurança. África é um continente com 1,4 mil milhões de pessoas e não está representado. A América Latina, países grandes como o Brasil, como a Índia, deviam estar representados e ter uma voz”, afirmou.
Perante milhares de militantes de esquerda, Ramaphosa afirmou que é preciso “defender a paz através da diplomacia, do diálogo, das organizações multilaterais e não ter um punhado de países que têm o direito de veto e que podem bloquear tudo o que seja progresso no mundo”.
“Também temos de abordar assuntos desconfortáveis como o fardo das dívidas que está a atrasar muitas economias em desenvolvimento. Temos de reformar a arquitetura financeira mundial. Sim, o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial têm de ser reformados”, sustentou, acrescentando que essas organizações não podem “continuar a representar apenas os interesses ocidentais”.
O Presidente da África do Sul referiu que “os princípios da solidariedade, cooperação e amizade estão a ser ameaçados pelo ressurgimento do nacionalismo, do preconceito, do racismo e intolerância e pelo ressurgimento de guerras de agressão ilegais e de genocídio em lugares como a Palestina”.
“Foi precisamente para desafiar esta noção de supremacia que a África do Sul decidiu iniciar um processo contra o Estado de Israel no Tribunal Penal Internacional”, afirmou, recebendo um longo aplauso da audiência.
Ramaphosa recordou que, quando a África do Sul anunciou essa ação, “foi criticada, desafiada, até insultado”, mas optou por “manter-se firme”.
“E a razão pela qual decidimos manter-nos firmes foi porque o pai da nossa democracia [Nelson Mandela] nos disse: ‘a nossa própria liberdade na África do Sul nunca ficará completa até que os palestinianos conquistem a sua própria liberdade'”, reconheceu.
Vários líderes da esquerda mundial estão a reunir-se hoje em Barcelona para coordenar ações e partilhar experiências num momento de avanço da direita e da extrema-direita a nível global.
Entre os nomes presentes estão o primeiro-ministro espanhol e atual presidente da Internacional Socialista, Pedro Sánchez, o Presidente do Brasil, Lula da Silva, e o Presidente da Colômbia, Gustavo Petro.




