Presidenciais: Mensagem de Montenegro de apelo à concentração de votos foi correta, afirma Marques Mendes

O candidato presidencial Luís Marques Mendes considerou hoje correta a mensagem do líder do PSD e primeiro-ministro de apelo à concentração de votos nas presidenciais em si, mas recusou ser o candidato do Governo.

Executive Digest com Lusa

O candidato presidencial Luís Marques Mendes considerou hoje correta a mensagem do líder do PSD e primeiro-ministro de apelo à concentração de votos nas presidenciais em si, mas recusou ser o candidato do Governo.

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Em declarações aos jornalistas, no final de uma visita à feira semanal de Espinho, o candidato apoiado por PSD e CDS-PP foi questionado se teme que a dispersão de votos o ponha fora da segunda volta, um dia depois de Luís Montenegro ter entrado na sua campanha e avisado que a dispersão de votos pode facilitar candidaturas populistas nessa disputa.

“Não, eu não o temo, mas eu acho que a mensagem é correta, é correta”, considerou, ainda antes de o seu adversário Gouveia e Melo ter acusado primeiro-ministro de tentar condicionar escolha do futuro Presidente com as suas palavras.

Marques Mendes disse ser claro que “há uma grande dispersão de votos ao centro”, o que considerou que “não é bom para a democracia”.

“Favorece o populismo por um lado, e favorece o experimentalismo por outro, e por isso eu acho que é mais saudável uma concentração de votos numa candidatura que é da moderação e que é da experiência. Neste momento, o caminho não é dispersar votos, é concentrar votos na moderação, na experiência e no consenso”, apelou.

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O antigo líder do PSD foi ainda questionado se não pode ser visto como o “candidato do Governo”, respondendo que tal nunca lhe foi apontado nos muitos contactos com a população que tem tido.

“As pessoas acompanharam os meus comentários durante 15 anos, e na rua sistematicamente me dizem: ‘o senhor é uma pessoa isenta e imparcial’. Porque é verdade, eu critiquei muitas vezes a minha própria família política, e acreditem que não é fácil”, disse.

Mendes, que no domingo à noite disse querer, se for eleito, “ajudar a governar”, clarificou que tal se aplica ao atual Governo PSD/CDS-PP como a qualquer outro.

“Deve ter uma boa cooperação estratégica e institucional com os governos, seja este, seja qualquer outro, mas ao mesmo tempo tem que ter firmeza a exigir resultados, são as duas coisas”, disse.

Na feira de Espinho, Mendes teve uma receção calorosa, com muitos beijinhos e pedidos de selfies, mas também alguns alertas sobre a idade da reforma cada vez mais alta e os baixos valores das pensões ou de um ex-combatente, que acusou o Governo de ter passado “uma rasteira” a estes antigos militares, dizendo que nem todos os que lutaram recebem o mesmo.

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“Mensagem passada, mensagem passada”, respondeu Mendes.

Questionado depois, pelos jornalistas, se o incomodam estas críticas ao Governo, o candidato considerou tratarem-se “de desabafos”.

“Não são críticas a mim, são críticas à situação, mas a circunstância de virem desabafar comigo significa que veem em mim potencial de Presidente da República”, considerou, dizendo que “as pessoas querem mudança e para mudar é preciso reformar, para reformar é preciso estabilidade, e para haver estabilidade é preciso experiência”.

“Vamos sempre bater ao valor da experiência”, insistiu.

As eleições presidenciais estão marcadas para 18 de janeiro de 2026.

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Concorrem às presidenciais 11 candidatos, um número recorde. Caso nenhum consiga mais de metade dos votos validamente expressos, realizar-se-á uma segunda volta a 08 de fevereiro entre os dois mais votados.

Os candidatos são Gouveia e Melo, Luís Marques Mendes (apoiado pelo PSD e CDS), António Filipe (apoiado pelo PCP), Catarina Martins (Bloco de Esquerda), António José Seguro (apoiado pelo PS), o pintor Humberto Correia, o sindicalista André Pestana, Jorge Pinto (apoiado pelo Livre), Cotrim Figueiredo (apoiado pela Iniciativa Liberal), André Ventura (apoiado pelo Chega) e o músico Manuel João Vieira.

Esta é a 11.ª eleição, em democracia, desde 1976, para o Presidente da República.

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