Presidenciais: Gouveia e Melo ataca “boys” e promete exigir responsabilidades por falhas no Estado

O candidato presidencial Gouveia e Melo criticou hoje as nomeações de “boys” para lugares de competência técnica na administração pública e prometeu exigir responsabilidades e acabar com “desculpas” do poder político perante falhas no Estado.

Executive Digest com Lusa

O candidato presidencial Gouveia e Melo criticou hoje as nomeações de “boys” para lugares de competência técnica na administração pública e prometeu exigir responsabilidades e acabar com “desculpas” do poder político perante falhas no Estado.

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Estas posições foram assumidas pelo ex-chefe do Estado-Maior da Armada no final de uma visita ao Porto de Leixões, depois de confrontado pelos jornalistas com o caso de um homem, no Seixal, que morreu na terça-feira após quase três horas à espera pelo socorro do INEM.

“Um Estado que falha consistentemente é um Estado que deve merecer a atenção do poder político. Não podemos continuamente falhar, falhar, falhar e acharmos que está tudo bem”, reagiu o almirante, antes de deixar um conjunto de perguntas sobre apuramento de responsabilidades face a casos graves ocorridos em várias áreas do Estado.

“Quem é que são os responsáveis? Porquê é que falhou? Ninguém sabe. Já se sabe a razão de terem falhado os aviões que estavam no chão quando precisámos deles para combater incêndios? Parece-me que nunca há responsáveis para nada”, criticou.

Neste contexto, fez uma alusão indireta ao que se está a passar no setor da saúde, falando então numa tática usada para não se assumirem responsabilidades.

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Gouveia e Melo afirmou então que “o poder político não pode andar a mudar os responsáveis de estruturas sempre que há um problema, como uma forma de se desculpar. Isso não pode acontecer. O Estado tem de mudar muito e a política portuguesa tem que mudar muito”, declarou.

O almirante aceitou que algumas nomeações para cargos do Estado têm de possuir uma componente política.

“Mas, abaixo dessa componente política, não deve haver administrações políticas, deve haver administrações profissionais”, sustentou. E deixou uma pergunta: “Queremos um Estado profissionalizado, capaz de nos dar respostas, ou queremos um Estado que basicamente serve para albergar um conjunto de clientelas dos partidos políticos?”

Antes, ainda durante a visita ao Porto de Leixões, Gouveia e Melo elogiou a desburocratização introduzidas nos portos portugueses nos últimos 20 anos, sobretudo nas cargas e descargas de mercadorias, através da adoção de ‘software’ nacional.

Porém, fez a seguir uma advertência: “É preciso não deixar que as estruturas políticas infiltrem lugares de alta competência técnica, totalmente baseadas no conhecimento”.

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“Não pode vir um ‘boy’ controlar uma coisa que não conhece só porque tem um cartão político. Infelizmente, isso acontece um pouco em toda a administração pública”, acrescentou.

Se for eleito Presidente da República, Gouveia e Melo disse que uma das suas causas será a “missão de renovar o Estado, para que tenha um elevado nível de eficiência, com muito menor burocracia”.

“O Estado precisa também de pagar melhor para reter talento e para que haja uma economia mais pujante em Portugal”, completou.

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