Presidenciais com todos os cenários em aberto na 2.ª volta: Marques Mendes na frente, Ventura em forte subida e Gouveia e Melo em queda livre

A mais recente sondagem da Pitagórica para a TVI e a CNN Portugal, realizada em dezembro para as eleições presidenciais de 18 de janeiro, revela um cenário altamente competitivo, com cinco candidatos separados por menos de seis pontos percentuais e todos ainda na luta por uma vaga na segunda volta.

Executive Digest

A mais recente sondagem da Pitagórica para a TVI e a CNN Portugal, realizada em dezembro para as eleições presidenciais de 18 de janeiro, revela um cenário altamente competitivo, com cinco candidatos separados por menos de seis pontos percentuais e todos ainda na luta por uma vaga na segunda volta. Luís Marques Mendes lidera as intenções de voto com 20,7%, seguido muito de perto por António José Seguro, com 19,9%, e André Ventura, com 19,1%, numa diferença inferior à margem de erro, o que configura um empate técnico entre os três primeiros.

Logo atrás surge Henrique Gouveia e Melo, com 15%, em queda acentuada pelo segundo mês consecutivo, enquanto João Cotrim Figueiredo mantém uma trajetória de subida e fica apenas a 0,1 pontos percentuais do almirante, com 14,9%. A sondagem, já com distribuição de indecisos, mostra ainda António Filipe e Jorge Pinto ambos com 3% das intenções de voto, e Catarina Martins na última posição, com 2,7%, valores que os afastam da disputa pela segunda volta.

Em comparação com novembro, André Ventura é o candidato que mais cresce, com uma subida de quatro pontos percentuais, ultrapassando Gouveia e Melo. António José Seguro sobe dois pontos e consolida o segundo lugar, beneficiando das quebras dos adversários diretos. João Cotrim Figueiredo também cresce, embora com menor intensidade, somando mais 1,9 pontos. Em sentido inverso, Luís Marques Mendes perde quase três pontos e regressa a níveis próximos dos registados em outubro, enquanto Gouveia e Melo acumula uma queda de quase 13 pontos desde esse mês.

A incerteza do resultado da primeira volta é reforçada pela análise detalhada da margem de erro. O valor mínimo atribuível a Marques Mendes (18,1%) é inferior ao valor máximo de André Ventura (21,6%), e o máximo possível de Cotrim Figueiredo (17,4%) coincide com o patamar mínimo de António José Seguro. A indecisão também aumenta: os indecisos sobem cinco pontos entre novembro e dezembro e representam agora 17,2% do eleitorado.

Debates penalizam o almirante e beneficiam candidatos mais experientes
O trabalho de campo da sondagem decorreu entre 11 e 19 de dezembro, quando já tinham sido realizados 25 dos 28 debates entre os oito principais candidatos. Os dados sugerem que os frente-a-frente televisivos poderão explicar parte das oscilações, penalizando Henrique Gouveia e Melo, que já admitiu que o formato o desfavorece, e beneficiando candidatos mais experientes neste tipo de confronto, como André Ventura e João Cotrim Figueiredo, ambos com subidas significativas desde outubro.

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À esquerda do PS, o quadro mantém-se globalmente estável. Jorge Pinto atinge os 3%, igualando António Filipe, enquanto Catarina Martins desce para 2,7%. No conjunto, os três candidatos somam quase nove pontos percentuais, praticamente o mesmo que no mês anterior, o que fragiliza a estratégia de António José Seguro de apelar ao chamado “voto útil” da esquerda, apesar de ser o único desse espaço político com hipóteses reais de chegar à segunda volta.

A análise à transferência de votos das legislativas revela contrastes relevantes. Marques Mendes convence apenas quatro em cada dez eleitores da AD, enquanto Seguro consegue captar cinco em cada dez eleitores do PS. André Ventura apresenta o eleitorado mais fiel, com sete em cada dez votantes do Chega, embora continue a valer menos do que o seu partido. Cotrim Figueiredo amplia a sua base ao convencer quase dois em cada dez eleitores da AD, e Gouveia e Melo apresenta a distribuição mais equilibrada, com maior penetração junto do eleitorado socialista.

No plano da rejeição, André Ventura destaca-se negativamente, com 73% dos inquiridos a afirmarem que jamais votariam nele, o valor mais elevado entre todos os candidatos, sobretudo entre eleitores mais velhos, mulheres, residentes em Lisboa e pessoas com rendimentos mais altos. Os restantes quatro favoritos apresentam taxas de rejeição entre os 45% e os 50%, com variações significativas consoante idade, rendimento e território.

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Seguro e Mendes lideram no potencial máximo de voto
A mesma pergunta permite avaliar o potencial máximo de crescimento. António José Seguro surge na frente, com 53% dos inquiridos a admitirem que votariam “de certeza” ou “talvez” no candidato, seguido de muito perto por Luís Marques Mendes, com 52%. Gouveia e Melo e Cotrim Figueiredo podem aspirar a cerca de 46%, enquanto André Ventura, refletindo a elevada rejeição, não ultrapassaria nesta fase os 25%.

Na análise por segmentos, Seguro lidera em seis dos 15 subgrupos, destacando-se entre eleitores com 45 ou mais anos, especialmente os com 65 ou mais, na classe média e na metade sul do país. Ventura lidera em quatro segmentos, nomeadamente entre os homens, os eleitores mais pobres, a faixa etária dos 35 aos 44 anos e a Região Centro. Marques Mendes lidera no Norte, entre as mulheres e entre os mais jovens dos 18 aos 24 anos, enquanto Cotrim Figueiredo se impõe claramente entre os eleitores dos 25 aos 34 anos e nos escalões de rendimento mais elevado. Gouveia e Melo já não lidera em nenhum segmento, ficando limitado a segundos lugares, sobretudo entre os eleitores mais velhos.

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