Bruxelas reagiu com preocupação às declarações do ministro da Economia do Reino Unido, Sajid Javid, que avisou que as empresas devem preparar-se para a possibilidade de não haver harmonização normativa com a União Europeia (UE), depois do Brexit.
«Não haverá harmonização, não acataremos ordens, não estaremos no mercado único e não estaremos na união aduaneira e faremos isso até ao final do ano [fim do período de transição]», declarou Javid, em entrevista ao diário inglês “Financial Times” (FT).
O governante pediu que as empresas dos sectores farmacêutico, automóvel, aeroespacial ou alimentar «se ajustem» à nova realidade e entende que tiveram tempo para fazê-lo, desde o referendo realizado em 2016.
À “FT”, fonte oficial de Bruxelas referiu que «a principal conclusão para a economia real [real economy, em inglês, refere-se ao fluxo de bens e serviços] é: prepare-se para o pior. Qualquer coisa acordada será um bónus». «No final, é tudo bastante simples. Se o Reino Unido quiser divergir das regras da União Europeia, vai fazê-lo», acrescentou, lembrando que isso provocaria «novos obstáculos comerciais entre o território britânico e a UE, e, consequentemente, menos comércio, menos investimentos e menos empregos».
Os comentários de Javid fizeram soar os alarmes. A indústria automóvel advertiu que uma cisão das regras da UE custaria «bilhões» de libras e prejudicaria o «fabrico e a escolha do consumidor do Reino Unido». O sindicato britânico Unite The Union diz mesmo que pode ser «fatal» para as fabricante de automóveis, do sector aeroespacial ou de alimentos e bebidas.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, pediu recentemente ao Reino Unido para comunicar que tipo de acesso quer ter ao mercado da UE no futuro, quando for oficial a sua saída. «Cabe aos nossos parceiros britânicos dizer que acesso querem ao mercado europeu, que é o maior do mundo», afirmou, referindo-se à futura relação entre a UE e o Reino Unido, que têm de negociar antes do final do ano, uma vez concretizado o Brexit a 31 de Janeiro próximo.
«A partir de 1 de Fevereiro seremos velhos amigos, mas teremos de encontrar novas formas e enfoques para o futuro», apontou, acrescentando que «quanto mais próximo o Reino Unido ficar, e mais próximo das regras da UE em relação ao mercado interior, melhor será para eles, para o seu acesso, e vice-versa».
A partir de 1 de Fevereiro, e durante 11 meses, o Reino Unido deveria – de acordo com o Acordo de Saída – manter-se integrado nas estruturas comunitárias e cumprir as normas da UE. Concluído este período de transição, deveria depois entrar em vigor um novo tratado bilateral entre Londres e Bruxelas para evitar um cenário semelhante ao de um «hard Brexit», ou seja, um Brexit desordenado.
Bruxelas, contudo, tem vindo a advertir repetidamente que o prazo para negociar um tratado comercial é muito curto e avisou que quanto maior for a divergência do Reino Unido em relação aos regulamentos europeus, mais distante se tornará a relação pós-Brexit, devido às barreiras adicionais que teriam de ser erguidas para proteger o mercado único.
Recorde-se que os eurodeputados vão pronunciar-se sobre o acordo de saída do Reino Único da UE no próximo dia 29 de Janeiro, dois dias antes da data prevista para a consumação do Brexit, a 31.














