Prémio da Paz é entregue esta sexta-feira: quem são os favoritos ao Nobel em tempo de guerra?

Esta sexta-feira vai ser entregue, na Noruega, o Prémio Nobel da Paz, uma decisão que terá uma atenção especial em função do conflito na Ucrânia

Francisco Laranjeira

Esta sexta-feira vai ser entregue, na Noruega, o Prémio Nobel da Paz, uma decisão que terá uma atenção especial em função do conflito na Ucrânia.

Isto porque a decisão do Comité Nobel da Noruega, numa altura que a Europa atravessa a maior guerra das últimas sete décadas, de uma das distinções mais cobiçadas pela humanidade, serve muitas vezes como uma oferta de esperança em termos incertos. Mas os especialistas nas áreas de paz e segurança alertam que o quadro geopolítico sombrio pode atrapalhar o prémio de 2022.

“Por vezes, é difícil descobrir quem pode receber o prémio porque há tantos candidatos possíveis”, referiu Dan Smith, diretor do Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo (SIPRI). “Mas ese ano, é difícil descobrir quem pode receber o prémio porque há tão pouco de bom a acontecer no mundo de paz e segurança”, garantiu, em declarações à televisão americana ‘CNN’.

O processo de pensamento de cada seleção é envolvo em sigilo. Mas vejamos: nenhum prémio da paz foi concedido durante a maior parte das Guerras Mundiais e num punhado de outras ocasiões. Mas também tem sido frequentemente utilizado para destacar outros conflitos em marcha ou para fornecer um farol de esperança quando o mundo enfrentava tempos sombrios.

O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky está no topo da lista de favoritos de muitas casas de apostas para ganhar o prémio – como favoritos estão também a população geral da Ucrânia e o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), que ajudou as pessoas deslocadas pela guerra.

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Mas houve casos anteriores em que o comité se envolveu em conflitos em andamento. “Às vezes, o prémio é enviar uma mensagem num sentido bastante específico”, apontou o especialista, lembrando o Nobel de 1993 para Nelson Mandela e Frederik Willem de Klerk, que estavam a negociar as primeiras eleições abertas na África do Sul após o fim do apartheid. “Esse processo estava em andamento e o comité queria influenciá-lo”, explicou Dan Smith.

“Zelensky é um líder de guerra e o que está a acontecer no momento é uma guerra. Pode ou não admirar-se a ação que ele está a realizar mas é sobre guerra e a defesa armada do seu país”, frisou Smith. “Esse é um facto que deve ser respeitado por si só.”

“Esperamos que a guerra termine e que façam a paz”, acrescentou. “Se Zelensky ou outra pessoa puder contribuir para essa paz, haverá tempo para reconhecer essa enorme conquista.”

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Mas também há críticos do regime russo que estão muito bem cotados. Alexey Navalny, o crítico do Kremlin e líder da oposição que foi condenado à prisão por acusações de fraude por um tribunal de Moscovo este ano, está no topo das previsões de muitos especialistas. Navalny é o crítico doméstico mais proeminente do presidente russo, Vladimir Putin, e as suas opiniões divergentes quase lhe custaram a vida.

Mas não será fácil. “Eu acho Navalny heróico mas é um líder político”, apontou Smith, embora tal facto não tenha impedido alguns políticos, como Barack Obama, tenham sido homenageados. “É um prêmio que deve ser concedido não por quão grande se é mas por quão grandes são as coisas que fez”, ilustrou Smith.

A líder da oposição bielorrussa, Sviatlana Tsikhanouskaya, também é geralmente vista como uma forte candidata. A dissidente foi forçado ao exílio na Lituânia depois de concorrer contra o líder e aliado de Putin, Alexander Lukashenko, nas eleições de agosto de 2020, denunciadas pela comunidade internacional como não tendo sido nem livres nem justas. A vitória conjunta para Tsikhanouskaya e Navalny foi prevista por Henrik Urdal, diretor do Instituto de Pesquisa da Paz de Oslo, que elabora uma lista de candidatos ao prémio anualmente.

“Tanto Tsikhanouskaya quanto Navalny são críticos veementes da invasão russa da Ucrânia”, escreveu Urdal. “Um Prémio Nobel da Paz partilhado seria visto como um protesto claro contra a agressão russa e a assistência da Bielorrússia e como apoio a alternativas democráticas e não violentas a Lukashenko e Putin.”

Quando há poucos indivíduos óbvios esperados para vencer, as instituições globais frequentemente beneficiam. As Nações Unidas e vários dos seus órgãos humanitários relacionados ganharam o troféu, mais recentemente o Programa Mundial de Alimentos em 2020. Urdal sugeriu o Tribunal Internacional de Justiça como vencedor este ano, caso o comité decida destacar a resolução de conflitos.

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