Preços sobem, mas portugueses não travam apetite por férias fora do país. Procura para fim de ano cresce 30%

O presidente da Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo (APAVT), Pedro Costa Ferreira, sublinha que este é um crescimento “muito agressivo” e que dá “otimismo para superar em 2025 os números recorde do ano passado”.

Revista de Imprensa
Agosto 18, 2025
9:34

As férias de verão ainda não terminaram, mas já há uma corrida às reservas para a passagem de ano. De acordo com dados revelados pelo Diário de Notícias, a procura por viagens de residentes portugueses para o estrangeiro está a bater recordes e, só para o réveillon, regista um aumento de 30% em relação a 2024. O presidente da Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo (APAVT), Pedro Costa Ferreira, sublinha que este é um crescimento “muito agressivo” e que dá “otimismo para superar em 2025 os números recorde do ano passado”.

A tendência confirma-se também nos primeiros meses deste ano, quando a compra de pacotes de férias para o verão cresceu 20% face ao período homólogo. O Instituto Nacional de Estatística (INE) já tinha registado, no primeiro trimestre, um aumento de 18,5% nas viagens para o estrangeiro, num total de 710,5 mil deslocações. “O mercado está mais maduro, os portugueses estão a viajar mais, sem dúvida, apesar do aumento dos preços”, assinala o líder da APAVT.

Na reta final do ano, os destinos tradicionais como Brasil, Cabo Verde, Madeira e Açores continuam a ser os preferidos, mas cresce o segmento de luxo, com destaque para o Dubai, o Japão e a Tailândia. “É absolutamente garantido e óbvio que as viagens de maior valor acrescentado estão a crescer”, comenta Pedro Costa Ferreira, explicando que esta tendência acompanha o dinamismo de outros setores de consumo, como a restauração e o imobiliário.

O dirigente nota ainda que o perfil de quem viaja no fim do ano é distinto. “Em princípio quem viaja no fim do ano também viajou no verão e, portanto, estamos a falar de famílias com um bocadinho mais de capacidade económica”, esclarece. Para além de famílias, sobretudo casais sem filhos ou com filhos já independentes estão entre os que mais apostam nestas escapadinhas curtas, adaptadas ao calendário escolar.

Apesar do aumento dos custos, com a subida dos preços da aviação, da hotelaria e da mão de obra, a procura não esmoreceu. Segundo Pedro Costa Ferreira, há operadores a faturar ao nível do ano passado e outros a registar crescimentos de 15%. As campanhas promocionais em viagens charter ajudaram a equilibrar o impacto da inflação, permitindo inclusive recuos nos preços em alguns pacotes.

O verão, por sua vez, confirma-se como histórico, com as Caraíbas a liderarem as preferências nos destinos de longo curso. Cabo Verde, Tunísia, Egito, Marrocos, Itália, Croácia e Albânia completam o leque das escolhas mais procuradas. Ainda assim, o presidente da APAVT rejeita a ideia de que os portugueses estão a abandonar o turismo interno: “Continuam a representar 30% do turismo que se faz cá dentro, com bons resultados no Algarve, Madeira, Açores, Alentejo, Centro, Porto e Norte”.

Para Pedro Costa Ferreira, o panorama é de complementaridade e não de substituição. “É possível ir de férias para o estrangeiro gastando menos do que em Portugal e é igualmente normal viajar para fora com um orçamento superior. A vasta oferta permite ambas as situações”, conclui o presidente da APAVT, defendendo que a diversificação de pacotes mantém o mercado em forte crescimento.

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