Preços dos alimentos descem em Espanha mas não mexem em Portugal: Não há “pressão das marcas na indústria”, admite Gonçalo Lobo Xavier

A indústria alimentar em Espanha cedeu à pressão do retalho e, diante do crescimento das marcas brancas, realizou seu primeiro corte de preços desde 2019. No entanto, os preços em Portugal continuam estáveis.

André Manuel Mendes

A indústria alimentar em Espanha cedeu à pressão do retalho e, diante do crescimento das marcas brancas, realizou o seu primeiro corte de preços desde 2019. No entanto, os preços em Portugal continuam estáveis.

Segundo o Índice de Preços Industriais em Espanha, os preços caíram 1,3% em novembro, marcando a maior redução em quase cinco anos. A inflação alta desde 2021 levou os preços da alimentação a aumentos recordes, chegando a crescer 21% ao mês entre 2022 e 2023. No entanto, a queda dos preços começou no verão passado, acompanhando a ascensão das marcas brancas, que já representam 48% da cesta de compras e dominam segmentos como alimentos e limpeza. O impacto desse cenário foi sentido na indústria, com uma queda de 2,6% na produção e o fecho de 1.824 empresas em 2023.

Em Portugal o cenário é diferente, em primeiro lugar por ser um mercado distinto com cerca de 11 milhões de consumidores, em contraste com os mercados internacionais, como o espanhol, que é cinco vezes maior e possui características diferentes.

Apesar da inflação ainda presente no mercado nacional, Gonçalo Lobo Xavier, Diretor-Geral da APED (Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição), explicou à Executive Digest que, em Portugal, os retalhistas estão a procurar mitigar os impactos dessa inflação através de estratégias focadas em eficiência. A otimização da cadeia logística e a diversificação de fornecedores são medidas adotadas para conter o aumento dos preços, garantindo uma maior competitividade e estabilidade no setor.

“Assim, a relativa estabilidade dos preços dos alimentos em Portugal resulta mais de uma sã concorrência e procura de eficiências do que de uma eventual pressão das marcas na indústria, até porque os aumentos que se continuam a verificar num conjunto de matérias-primas têm consequências no mercado, o que obriga a uma vigilância permanente, para bem do consumidor e da sua liberdade de escolha”, explicou Gonçalo Lobo Xavier.

Continue a ler após a publicidade
Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.