A gigante petrolífera saudita Aramco está presa numa guerra de preços sem precedentes e pode precisar vender uma participação nos seus negócios de oleodutos para aumentar o capital, segundo avança a Bloomberg, esta segunda-feira.
A queda vertiginosa nos preços do petróleo ao longo deste mês fez com que o maior produtor do mundo precisasse de dinheiro antes de ter de realizar alguns pagamentos avultados. Ainda assim, a empresa ainda planeia distribuir 75 mil milhões de dólares em dividendos este ano, aguentando a turbulência do mercado e da ampla crise económica, sendo que também enfrenta um prazo de pagamento da aquisição que fez, por 70 mil milhões de dólares, da produtora de produtos químicos Saudi Basic Industries.
Ao ponderar esta alienação, a venda de parte da unidade de oleodutos, a petrolífera pode arrecadar até 10 mil milhões de dólares, apontam fontes próximas da empresa, à Bloomberg.
A Aramco já manteve algumas discussões com potenciais compradores mas as negociações estão ainda em fases muito embrionárias, o que ainda pode levar a empresa a desviar-se da venda do negócio.
A resposta da empresa ao atual cenário de instabilidade foi o rápido aumento dos seus níveis de produção, ainda que a pandemia do coronavírus tenha diminuído a procura global de petróleo, na sequência das proibições de viagens e pedidos de confinamento.
Este movimento foi uma resposta à recusa da Rússia em restringir a produção e diminuir a oferta no principal mercado de ‘commodities’. As medidas entre a Arábia Saudita e a Rússia levaram os preços do petróleo abaixo dos 20 dólares por barril, enquanto os dois países inundam o mercado com novos stocks.
A crise do mercado de petróleo e as consequências do coronavírus já estão a atingir os planos de investimento da Aramco. As despesas são projetadas para atingir entre 25 mil milhões e 30 mil milhões de dólares em 2020, claramente abaixo dos 35 mil milhões a 40 mil milhões de dólares projetados nos planos de oferta pública inicial da empresa.




