O preço do gás natural europeu baixou dos 50 euros por megawatt/hora pela primeira vez em quase 18 meses, um momento marcante na crise energética, já que o clima ameno e o amplo armazenamento ajudaram a moderar os preços que apresentavam sinais de descontrolo, apontou esta sexta-feira o jornal ‘Financial Times’.
Depois do pico registado em agosto do ano passado, que superou os 300 euros por megawatt/hora, os preços do gás na Europa caíram até 85%. Segundo Henning Gloystein, da consultora Eurasia Group, “a Europa parece ter-se livrado do gás russo com sucesso”.
Esta sexta-feira, o contrato de referência europeu TTF caiu quase 5%, para um mínimo de 49 euros por megawatt/hora em consequência da confiança crescente de que o Velho Continente conseguirá evitar a escassez neste e no próximo inverno – os preços no Reino Unido também caíram drasticamente. O TTF “ainda é caro mas não é preciso mais contabilizar o risco de escassez total”, considerou o especialista.
O regresso dos preços do gás natural aos valores de 2021 é um novo revés para o Kremlin, numa altura em que se aproxima o primeiro aniversário da invasão da Ucrânia pela Rússia – a receita da energia de Moscovo, depois de ter disparado numa fase inicial após a invasão, o que ajudou a financiar a ofensiva militar de Vladimir Putin, está em queda. As notícias não são melhores no petróleo, vendido com grande desconto, e os preços do gás não são altos o suficiente para compensar a queda nos volumes de exportação da Rússia.
Com apenas seis semanas de inverno pela frente, os níveis de armazenamento de gás na Europa estavam em cerca de 65% na passada quarta-feira, segundo dados da ‘Gas Infrastructure Europe’, bem acima dos níveis normais para esta época de ano. Para Gloystein, a procura de gás industrial na Europa caiu cerca de 20% em 2022 sem que se registasse uma queda significativa na produção industrial, devido a maiores eficiências e troca de combustível.












